Cruz Vermelha afirma que todas as crianças soterradas por avalanche na Itália foram resgatadas

"Continuamos a busca por outros sobreviventes", garantiu Luca Cari, porta-voz dos bombeiros

Crianças resgatadas chegando em ambulância, na ItáliaCrianças resgatadas chegando em ambulância, na Itália - Foto: FABIO FRUSTACI / AFP

Quatro crianças e uma mulher foram resgatados nesta sexta-feira (20) do hotel soterrado por uma avalanche de neve a dois dias no centro da Itália. Todas as crianças que estavam no hotel no momento da tragédia foram retirados com vida dos escombros, segundo a Cruz Vermelha.

"Foi um milagre. Que maravilha. Edoardo está vivo. Dos pais não sei nada ainda, espero que também estejam vivos", comentou feliz Simona de Carlo, tia de uma das crianças resgatadas.

"Continuamos a busca por outros sobreviventes", garantiu Luca Cari, porta-voz dos bombeiros.

- Buscas continuam -  As equipes de resgate trabalharão a noite toda apesar dos riscos do local, da escassa visibilidade e das possibilidades de novas avalanches.

A retirada de pessoas com vida sob a neve acontece quase dois dias após o início dos resgates.

Cerca 35 pessoas estavam no hotel no momento em que o lugar foi atingido, na quarta-feira, por uma avalanche, e quinze delas ainda estão desaparecidas.

Em uma operação espetacular, transmitida pela televisão, mãe e filho foram retirados de uma espécie de iglu, formado pela neve endurecida.

Os resgatados são a esposa e o filho de Giampiero Parete, o primeiro sobrevivente encontrado na quinta-feira, que estava com Fabio Salzetta fora do hotel no momento da avalanche de neve.

Sua filha, Ludovica, de 6 anos, também foi retirada nesta sexta-feira das ruínas do hotel, e toda a família se salvou.

A roupa de inverno e de esqui permitiram aos resgatados sobreviver sob os escombros e no frio, de acordo com os médicos do hospital de Pescara, onde as vítimas foram atendidas.

"Esperamos encontrar mais sobreviventes, escutamos suas vozes, mas não sabemos quantos são. É possível que tenham sido criadas bolhas de ar sob os escombros, o que lhes permitiu sobreviver", explicou à AFP Roberto Carminucci, coordenador da equipe de resgate.

Alguns dos sobreviventes que ainda estão sob a montanha de neve e de escombros fizeram fogueiras para resistir, o que permitiu localizá-los.

"Vimos fumaça, havia alguns pequenos incêndios dentro dos escombros cobertos por metros de neve, e deduzimos que, se havia fogo, havia ar, então começamos a escavar", contou Marco Bini, da Guarda de Finanças.

O primeiro contato com os sobreviventes ocorreu pouco depois das 11h00 da manhã locais (08h00 de Brasília) e os bombeiros puderam falar em várias ocasiões com eles.

Todos os hóspedes são italianos que estavam na região de férias.

- Investigação por 'homicídio involuntário' -
Dois dias depois da tragédia, o Ministério Público de Pescara abriu uma investigação judicial por "homicídio culposo", já que se suspeita que ocorreu negligência por parte dos administradores do hotel, assim como das autoridades locais, ao autorizar a abertura do estabelecimento.

O hotel de luxo Rigopiano estava em uma zona montanhosa isolada perto de Farindola, nos Apeninos, dentro do Parque Nacional do Gran Sasso.

O edifício de três andares se reduziu a um, coberto por escombros, árvores caídas e vidros quebrados. A piscina coberta congelou após a ruptura da proteção que a envolvia.

A região foi atingida na quarta-feira por uma sequência de fortes terremotos e nevascas históricas, e cerca de 7.000 pessoas, incluindo 3.000 soldados, foram mobilizados para ajudar as vítimas, assim como as centenas de moradores em aldeias isoladas que há dias estão sem eletricidade.

 

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