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Decisão de Trump ameaça contratos de US$ 20 bi da Boeing com o Irã

O impacto decisão de Trump pode significar para a fabricante americana Boeing a perda de contratos no valor de US$ 20 bilhões

Presidente dos Estados Unidos, Donald TrumpPresidente dos Estados Unidos, Donald Trump - Foto: Mandel Ngan / AFP

A saída dos EUA do acordo nuclear do Irã, anunciada nesta terça-feira (8) pelo presidente Donald Trump, não afetará apenas a geopolítica do Oriente Médio. Com o restabelecimento das sanções contra a economia iraniana, empresas americanas ficam proibidas de fazer negócios com o Irã em determinados setores -entre os quais, a aviação.

O impacto disso pode significar para a fabricante americana Boeing a perda de contratos no valor de US$ 20 bilhões (R$ 71,6 bilhões) com a Iran Air, principal companhia aérea iraniana. "Após o anúncio de hoje, vamos consultar o governo dos EUA sobre os próximos passos", afirmou em nota a Boeing, que disse continuar seguindo as diretrizes de Washington em relação às vendas para empresas iranianas.

Em dezembro de 2016, a Boeing anunciou um pedido de 80 aviões da Iran Air, incluindo 50 737 MAX 8, 15 777-300ER e 15 777-9, novo modelo que deve entrar em operação em 2019. À época, a Boeing afirmou que esse pedido ajudaria a manter 100 mil empregos nos EUA. Além da Iran Air, a Boeing também tem um contrato com a Aseman Airlines, terceira maior aérea do Irã, que havia encomendado 30 aviões 737 MAX.

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Os 80 pedidos iranianos do 737 MAX, por exemplo, representam pouco dentro do universo de 4.474 encomendas do modelo, o mais vendido da Boeing. O CEO da Boeing, Dennis Muilenburg, já havia dito em abril que a escala de produção do 777 "não depende dos pedidos iranianos".

A Airbus também tem contratos com a Iran Air, que encomendou 100 jatos da fabricante europeia por estimados US$ 27 bilhões (R$ 96 bilhões). A Iran Air conta com essas encomendas para modernizar sua frota envelhecida, que tem uma idade média de 22,2 anos. Entre os modelos estão Airbus A300 com 30 anos de uso e Fokkers 70/100 com 25 anos de idade. O único Boeing 747 ainda ativo da companhia está em serviço há 29 anos.

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