Déficit comercial dos EUA cresce e dá mais munição a Trump

Do ponto de vista contábil, o déficit equivale a 2,7% do PIB americano e pesa no crescimento econômico

Donald Trump Donald Trump  - Foto: Brendan Emialowski/afp

O déficit comercial dos Estados Unidos cresceu em 2016 para seu nível mais alto em quatro anos com persistentes desequilíbrios com China, Europa e México que dão mais munição ao protecionismo de Donald Trump.

O déficit crônico, com o saldo negativo das trocas americanas de bens e serviços com o resto do mundo chegando a 502,2 bilhões de dólares no ano passado, aumentou em 0,4% em relação a 2015, informou o Departamento de Comércio.

Do ponto de vista contábil, o déficit equivale a 2,7% do PIB americano e pesa no crescimento econômico. Mas é no político onde poderá ter um maior impacto.

O presidente Trump chegou à Casa Branca com a promessa de corrigir os desequilíbrios no comércio exterior e estes dados dão argumentos para sua ideia de taxar as importações.

O déficit da troca de bens com a China é o maior. Em 2016 foi de 347 bilhões de dólares, apesar de esta quantidade representar uma queda de 5,4% em comparação com 2015.

Acusada de práticas comerciais desleais, a China é um dos principais alvos de Trump, que ameaça impor direitos alfandegários de até 45% a produtos vindo deste país e que quer frear o deslocamento de empresas.

A China é culpada do "maior roubo de empregos da história" dos Estados Unidos, disse Trump em junho de 2016.

Déficit maior com o México

O déficit comercial de bens também foi grande com a União Europeia (UE) ao se situar nos 146,3 bilhões de dólares, cifra menor quando comparada a de 2015.

Dentro da UE, o déficit é particularmente notório com a Alemanha: 64,9 bilhões de dólares.

Na semana passada, a administração de Trump criticou a Alemanha acusando-a de "explorar" comercialmente os Estados Unidos. Washington considera que o euro está "fortemente subestimado" e, dessa forma, torna mais competitivas as exportações alemães.

Em contrapartida, em 2016 os Estados Unidos tiveram um superávit de 1,1 bilhão de dólares com o Reino Unido, com quem Trump buscar se aproximar em um momento em que o país se encaminha para sair da União Europeia.

O Brexit será "um sucesso", disse Trump recentemente.

Os dados mais explosivos politicamente são os relacionados ao México, a quem Trump quer obrigar a construir um muro na fronteira e pagar por ele, entre outros, com taxas de importação.

O déficit dos Estados Unidos com seu vizinho subiu 4,1% em 2016 ficando em 63,2 bilhões, segundo o Departamento de Comércio.

A Casa Branca falou recentemente de taxar em 20% as importações do México e ameaçou sancionar as empresas que se instalarem lá para produzir bens destinados ao mercado americano para baratear custos.

Trump quer renegociar, ou diretamente romper, o Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta) com México e Canadá. O presidente disse que esse tratado vigente desde 1994 é um "desastre" para os Estados Unidos.

Esses dados brutos não levam em conta, entretanto, o comércio de serviços (como finanças ou transporte) que é tradicionalmente superavitário no país. O excedente de 2016 nessa categoria foi de 247,8 bilhões de dólares.

Segundo o Departamento de Comércio, o déficit da balança de bens e serviços do ano passado se deve a uma queda das exportações (-2,3%) que ficou mais marcada do que a queda das importações (-1,8%).

As exportações de materiais industriais e equipamentos tiveram notórias quedas, disse o relatório.

Esses dados são um legado negativo do antecessor de Trump. Em 2010, o presidente Barack Obama prometeu duplicar em cinco anos o montante das exportações americanas que eram de 1,84 bilhões de dólares.

Essa meta de Obama ficou distante de ser alcançada em 2016, pois as exportações chegaram a "somente" 2,20 bilhões de dólares

Veja também

Imunidade contra a Covid-19 pode ser maior que seis meses, afirma estudo
Coronavírus

Imunidade contra a Covid-19 pode ser maior que seis meses, afirma estudo

FBI indicia filho de brasileiros envolvido no ataque ao Congresso dos EUA
EUA

FBI indicia filho de brasileiros envolvido no ataque ao Congresso