Diplomatas americanos protestam contra decreto de Trump sobre imigração

Casa Branca disse que espera que os diplomatas cumpram instruções, ou que busquem outro emprego

Presidente eleito dos EUA, Donald TrumpPresidente eleito dos EUA, Donald Trump - Foto: Don Emmert/AFP

Um número ainda não revelado de diplomatas americanos preparou um protesto contra a nova política de Washington para imigrantes e refugiados de sete países muçulmanos, apesar de a Casa Branca ter avisado que devem "seguir o programa".

"Estamos cientes de uma mensagem de dissidência que está circulando contra a ordem executiva", afirmou o porta-voz interino do Departamento de Estado americano, Mark Toner, acrescentando que o documento ainda não foi formalmente apresentado.

O Departamento de Estado possui um mecanismo formal, chamado "Canal de Dissidência", pelo qual os diplomatas podem registrar sua preocupação com o impacto que uma decisão oficial pode ter sobre a política externa do país.

Em resposta, a Casa Branca mandou uma mensagem que não deixou dúvidas: o presidente Donald Trump espera que os diplomatas cumpram as instruções, ou que busquem outro emprego.

"Estes burocratas de carreira têm problemas com isso? Considero que devem seguir o programa, ou sair. Isso se refere à segurança dos Estados Unidos", declarou o porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, nesta segunda-feira (30).

Na opinião do porta-voz da Presidência, "a maioria dos americanos está de acordo com o presidente" na necessidade de manter o país seguro.

Toner optou por não divulgar o conteúdo do documento, que já está circulando no Canal de Dissidência, ou relatar quantos diplomatas já assinaram, mas confirmou que se refere ao decreto assinado por Trump na sexta-feira intitulado "Proteger a nação da entrada de terroristas estrangeiros nos Estados Unidos".

A assinatura do decreto provocou uma onda de protestos em todo o país e reações iradas no exterior. No fim de semana, os aeroportos americanos foram tomados pelo caos.

Um respeitado blog de assuntos relacionados à segurança, o Lawfare, reproduziu on-line uma versão do documento de cinco páginas nesta segunda-feira.

"Centenas de funcionários de serviços estrangeiros têm a intenção de adicionar suas assinaturas ao memorando da dissidência", afirmou o blog.

O Lawfare considerou o gesto dos diplomatas que participam do protesto "uma importante união por parte de funcionários dos serviços estrangeiros contra o decreto".

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