Direita avança no Chile e abstenção tem recorde

A coalizão liderada pela presidente Michelle Bachelet sofreu um duro golpe nas eleições municipais

Felipe Ferreira LimaFelipe Ferreira Lima - Foto: Divulgação

 

A um ano da votação presidencial, o Chile teve no domingo, com eleições municipais em todo o país, um termômetro do que deve ser a disputa em 2017. A aliança de centro-esquerda atualmente no governo, a Nueva Mayoria, encolheu devido ao desgaste da gestão Michelle Bachelet.
Já a direita, representada pela coalizão Chile Vamos, se expandiu, conquistando algumas cidades chaves no mapa eleitoral chileno, como a comuna de Santiago (não se trata da cidade toda, apenas do centro mais importante da capital). Dos dez maiores municípios do país, oito ficaram com a aliança direitista.
A eleição teve alta abstenção (66%), e o resultado final mostrou o Chile Vamos como vencedor com 38,5% dos votos, aumentando o número de cidades em seu poder, de 121 a 142. Já a Nueva Mayoria alcançou 37% dos votos, reduzindo o número de municípios em que governa de 167 a 144.A derrota da coalizão de Michelle Bachelet nas municipais de domingo, no Chile, abre uma crise no governo e prepara o caminho para o ex-presidente de direita Sebastián Piñera retornar ao poder nas eleições gerais de 2017.
O desgaste do Nueva Mayoria está relacionado a dificuldades de Bachelet em cumprir algumas de suas promessas de campanha.
A principal delas era convocar uma assembleia constituinte para redigir uma nova Constituição para o país -a atual é a imposta pela ditadura do general Augusto Pinochet (1973-1990), em 1980.
Nela, estariam incluídas uma reforma para aumentar o papel do Estado na educação -reivindicação que levou jovens às ruas em 2011-, leis que minimizariam a desigualdade da distribuição de recursos e avanços em direitos civis.
Ajudaram a desgastar ainda mais a gestão o envolvimento de familiares de Bachelet em casos de corrupção e a desaceleração da economia pela crise das “commodities”.

Espera-se, para 2016, um crescimento de apenas 1,7%, uma queda brusca com relação a uma média sustentável nos últimos anos.
Análise
O que levou os chilenos a dar as costas a Bachelet? A dirigente política foi eleita há quase dois anos com 62% dos votos e obteve também uma ampla maioria nas duas Câmaras do Congresso.
“Esta eleição foi um castigo para Bachelet e isto significou uma vitória para a direita. Talvez a direita não tenha tido muito mérito em vencer, mas neste turno, o único que se precisava era estar na oposição a Bachelet”, explicou Patricio Navia, cientista político da Universidade Diego Portales.
“As pessoas se importam mais com a boa gestão do que com a corrupção. Nos lugares onde as pessoas tiveram que decidir entre pessoas acusadas de corrupção que gerenciam bem e pessoas honestas que não sabem como administrar, preferiram o primeiro”, acrescentou o analista.
A derrota foi especialmente relevante em comunidades de classe média, nas quais historicamente a centro-esquerda tinha uma grande adesão, o que, na opinião de Navia, refletiu “o profundo repúdio ao programa que tão obstinadamente a presidente quis implementar” e que as pessoas percebem que lhes tira benefícios.

 

Veja também

Entre arrependidos, jovens e latinos, Biden pode conquistar o Arizona
EUA

Entre arrependidos, jovens e latinos, Biden pode conquistar o Arizona

Rússia espera registro da Sputnik V no Brasil em dezembro e produção em janeiro
Covid-19

Rússia espera registro da Sputnik V no Brasil em dezembro e produção em janeiro