Em comício, Trump mira a imprensa e plateia responde com vaias

Cada menção de Trump à imprensa era respondida com vaias da plateia

Advogados Danielle Portela e Pedro Josephi na Câmara do RecifeAdvogados Danielle Portela e Pedro Josephi na Câmara do Recife - Foto: Divulgação

Hillary Clinton é certamente o principal alvo das críticas e ofensas de Donald Trump durante os discursos do republicano. No entanto, em um comício na tarde desta segunda-feira (7), véspera da eleição, em Raleigh, na Carolina do Norte, a imprensa e os jornalistas americanos foram quase tão citados quanto a rival.

A cada vez que acusava a mídia de "desonesta" e de favorecer a oponente, Trump fazia questão de apontar para o pequeno local cercado reservado para os jornalistas. "Isso aqueles ali não falam", disse, referindo-se à sua pretensa vantagem nas pesquisas em Estados como Flórida e New Hampshire, e estendendo o braço para que todos voltassem os olhares ao pequeno grupo credenciado.

Cada menção de Trump à imprensa era respondida com vaias da plateia de cerca de 7.000 pessoas que foram a um ginásio da cidade durante a tarde.

O discurso pegou entre os eleitores. Dois deles, quando abordados pela reportagem, quiseram saber logo para qual veículo a repórter trabalhava. Só baixaram a guarda quando viram que não era um jornal americano. "A imprensa daqui é completamente corrupta. Eu não acredito em mais nada que venha dela", disse um deles, que não quis se identificar.

Trump questionou as pesquisas de intenção de voto divulgadas pelos principais veículos e as sondagens das emissoras sobre quem teria vencido os debates televisionados. E lembrou o caso da ex-comentarista da CNN Donna Brazile, que, segundo e-mails vazados pelo WikiLeaks, teria antecipado a Hillary informações sobre perguntas de um debate durante as primárias democratas.

Brazile, que já estava afastada da CNN desde julho, quando assumiu interinamente como presidente do Comitê Nacional Democrata, deixou de vez a emissora após a revelação.

A relação de Trump com a imprensa durante a campanha e se for eleito foi criticada em outubro pelo Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), para quem o republicano é uma "ameaça aos direitos dos jornalistas".

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