Em entrevista ao 'NYT', Trump diz que não irá mais processar Hillary

"Não quero machucar os Clinton" disse o presidente eleito dos Estados Unidos

Confira a agenda de entrevista com os candidatosConfira a agenda de entrevista com os candidatos - Foto: Divulgação

Donald Trump não pretende mais processar Hillary Clinton. Na campanha, prometia "colocá-la na prisão" e comparava sua "espiral de mentiras" ao escândalo de Watergate. Agora o presidente eleito mudou de ideia. "Não quero machucar os Clinton."

Embora admita que a "marca Trump" ficou "mais quente" após sua vitória, ele afirma que estar na Casa Branca e ser dono de um império empresarial não gera conflito de interesses. "A lei está totalmente do meu lado."

Também diz que mantém "uma mente aberta" sobre o aquecimento global. Antes, defendia que seu país abandonasse o Acordo de Paris e entendia a mudança climática como uma farsa maquinada pela China "para tornar a produção dos EUA não competitiva".

Na semana passada, integrou à sua equipe de transição Myron Ebell, que pertence à esfera daqueles que negam o papel do homem no aquecimento global. Trump agora vira o disco: "Ar limpo é vitalmente importante".

Tudo numa entrevista concedida nesta terça-feira (22) ao "New York Times", jornal que chama de "fracassado" para baixo, mas do qual é leitor fiel, confessa ("viveria mais 20 anos se não lesse o 'NYT'").

A conversa, relatada em tempo real, no Twitter, por editores e repórteres, teve um pouco de tudo -de Barack Obama ("realmente gostei muito dele") a supremacistas que exaltam sua eleição ("não é um grupo que eu quero energizar, e se estão energizados, quero descobrir por quê").

Trump afirmou que não vai mais investigar o uso de um servidor de e-mail privado por parte de Hillary ou a Fundação Clinton, pois "isso seria muito, muito divisivo para este país".

A ideia empolgava sua base, que em seus comícios fazia coro pedindo a prisão da ex-presidenciável democrata. "Não acho que eles ficarão desapontados."
Decepcionadas estariam alas do FBI, que cobram independência para trabalhar.

A polícia federal americana já fechou a investigação sobre os e-mails que Hillary trocou quando era secretária de Estado, mas ainda apura possível tráfico de influência na fundação de sua família.

Conflito de interesses
Trump se disse surpreso ao descobrir que não havia incompatibilidade legal entre suas personas empresarial e presidencial. "Em teoria, poderia comandar meus negócios perfeitamente e liderar o país perfeitamente."

De fato, a legislação federal sobre conflitos de interesse isenta presidentes. Críticos lembram, contudo, que ele poderia ser enquadrado em leis que proíbem pagamentos de governos estrangeiros.

Trump afirmou que seria complicado vender seus negócios, cujas rédeas agora estão com três de seus filhos -conselheiros em sua equipe de transição, o que o pai não enxerga como um problema. "Se dependesse de algumas pessoas, nunca mais veria minha filha Ivanka de novo", reclama.

As empresas são "tão desimportantes para mim perto do que estou fazendo", disse. Também não o atrapalhou ganhar a eleição, admite. Seu hotel de luxo em Washington, na mesma avenida da Casa Branca, "provavelmente vale mais do que antes".

Trump deu combustível aos que o acusam de enriquecer às custas de seu primeiro cargo público. Confessou ter contado com a ajuda do aliado da extrema-direita Nigel Farage, ex-líder do Ukip (Partido da Independência do Reino Unido), para impedir uma construção que atrapalhava a vista de um campo de golfe que abriu em junho na Escócia. "Posso ter mencionado [o assunto]."

Ele chegou a encorajar, no Twitter, a indicação de Farage como embaixador britânico nos EUA. A sugestão lhe rendeu um fora da primeira-ministra Theresa May: "Não há vaga. Já temos um excelente embaixador [no país]".
Na entrevista ao "NYT", Trump comentou sobre a lua de mel com líderes republicanos que antes queriam distância dele. "Agora, eles estão apaixonados por mim."

Ele rebateu críticas a seu estrategista-chefe, Stephen Bannon, que antes de embarcar em sua equipe chefiava o Breitbart. O site é um guarda-chuva para a "alt-right", direita que exalta o supremacismo branco e compara feminismo a câncer. "Se eu achasse que ele era racista, não cogitaria contratá-lo."

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