Dom, 15 de Fevereiro

Logo Folha de Pernambuco
Mundo

Estado Islâmico deixou mais de 200 fossas comuns no Iraque

Autoridades exumaram somente 1.258 corpos em 28 das fossas, que foram encontradas nas províncias de Nínive, Kirkuk e Saladino, no norte do Iraque, assim como em Al Anbar, no oeste

Estado Islâmico deixou mais de 200 fossas comuns com cerca de 12.000 corpos nas províncias do IraqueEstado Islâmico deixou mais de 200 fossas comuns com cerca de 12.000 corpos nas províncias do Iraque - Foto: Ahmad Al-Rubaye / AFP

O grupo extremista Estado Islâmico (EI) deixou mais de 200 fossas comuns com cerca de 12.000 corpos nas províncias do Iraque sob seu controle entre 2014 e 2017, anunciou a ONU nesta terça-feira (6), advertindo que "podem haver muitas mais".

Em seu relatório, a Missão de Assistência das Nações Unidas para o Iraque e o Escritório de Direitos Humanos da ONU pedem às autoridades iraquianas que preservem esses lugares para poder obter provas dos crimes e dar respostas às famílias dos desaparecidos.

As autoridades exumaram somente 1.258 corpos em 28 das fossas, que foram encontradas nas províncias de Nínive, Kirkuk e Saladino, no norte do Iraque, assim como em Al Anbar, no oeste, afirma a ONU.

Leia também:
Iraque ataca Estado Islâmico na Síria
Atentados do Estado Islâmico deixam mais de 180 mortos na Síria
Sobe o número de mortos em terremoto na fronteira de Irã e Iraque


O número de corpos nas fossas oscila entre vários e milhares, como pode ser o caso de uma cova natural no sul de Mossul, a antiga "capital" do EI no norte do Iraque, chamada "Khasfa" (precipício em árabe) onde, segundo os moradores, os extremistas executavam diariamente dezenas de iraquianos, sobretudo a membros das forças de segurança.

Quase um ano depois de o Iraque proclamar a "vitória" frente ao EI, "as provas reunidas nesses lugares serão essenciais", estima o relatório que pede proteção desses locais e que as exumações sejam feitas de acordo com as normas.

Somente esses elementos - acrescenta - poderão "garantir investigações concretas, julgamentos e condenações de acordo com os padrões internacionais". Os investigadores da ONU começaram a coletar provas.

Segundo o relatório, ao longo de três anos, os extremistas cometeram "violações sistemáticas dos direitos humanos e do direito humanitário - alguns atos que podem constituir crimes de guerra, crimes contra a humanidade e um possível genocídio".

Michelle Bachelet, alta comissária da ONU para os Direitos Humanos ressaltou que "embora os crimes horríveis do EI já não estejam mais nas manchetes, o trauma das famílias das vítimas continua existindo e o destino de milhares de mulheres, homens e crianças é desconhecido".

"Determinar as circunstâncias desse numerosos mortos será uma etapa importante no processo de luto das famílias e na corrida para garantir o direito à verdade e à justiça", afirmou o representante especial da ONU no Iraque, Jan Kubis.

Segundo o relatório, as famílias de desaparecidos devem se dirigir a cinco administrações distintas, "um processo que toma muito tempo e é frustrante".

Veja também

Newsletter