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EUA anunciam fim de isenção para quem comprar petróleo iraniano

A medida, que passa a valer a partir de 2 de maio, abre a possibilidade de Washington punir esse os países que insistirem em fazer negócio com Teerã

Presidente Donald TrumpPresidente Donald Trump - Foto: Jim Watson/AFP

O governo americano anunciou nesta segunda (22) que não vai renovar a autorização, dada a alguns países, que permitia a eles seguir comprando petróleo do Irã sem sofrer risco de sanções. A medida, que passa a valer a partir de 2 de maio, abre a possibilidade de Washington punir esse os países que insistirem em fazer negócio com Teerã.

"Esta decisão visa zerar as exportações de petróleo do Irã, privar o regime de sua principal fonte de renda", afirmou a Casa Branca em comunicado ao anunciar a decisão. A decisão é mais uma tentativa do presidente Donald Trump de endurecer as regras contra o governo iraniano, na prática dificultando que o país siga vendendo petróleo no mercado internacional.

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"A administração Trump e nossos aliados estão determinados a sustentar e expandir a campanha de máxima pressão econômica contra o Irã para pôr fim à atividade desestabilizadora do regime, que ameaça os Estados Unidos e nossos parceiros e aliados, bem como a segurança no Oriente Médio" afirma o texto.

Trump tem aumentado a pressão sobre o Irã desde que abandonou em 2018 o acordo nuclear assinado com Teerã três anos antes. E em novembro, o americano anunciou o restabelecimento de sanções ao petróleo iraniano.

Mas oito países receberam uma isenção por seis meses -que termina no próximo dia 1º-, período no qual poderiam continuar comprando petróleo sem correr o risco de sofrer punições. É esse prazo que não será renovado. Entre os países da lista, está a Índia, que tem boas relações com Washington, mas não concorda com a insistência dos Estados Unidos de que o Irã representa uma ameaça.

Outros que serão afetados pela decisão são China e Turquia, abrindo uma nova frente de fricções em suas relações já tensas com Washington. Os demais -Grécia, Itália, Japão, Coreia do Sul e Taiwan- já reduziram drasticamente suas compras de petróleo iraniano.

A isenção era uma tentativa do governo americano de impedir que as sanções causassem uma alta dos preços do petróleo, mas, após o anúncio desta segunda, o valor do produto subiu em Nova York e em Londres.

Nesta segunda, Trump afirmou que espera que outros países exportadores de petróleo aumentem sua produção para compensar o bloqueio do produto iraniano. "A Arábia Saudita e outros integrantes da Opep [Organização dos Países Exportadores de Petróleo] vão mais do que compensar a diferença nos fluxos de petróleo agora com nossas sanções integrais sobre o petróleo iraniano", disse ele nas redes sociais.

Em reação imediata, a Arábia Saudita disse que está disposta a atuar para impedir uma alta dos preços. "Riad continua comprometida com sua política consistente de estabilizar o mercado", disse o ministro da Energia saudita, Khaled al-Falih.

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