EUA em luto nacional para funeral de Estado de George H. W. Bush

A família de Bush, inclusive seu filho mais velho, de 72 anos, 43º presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, acompanhou o caixão, coberto com a bandeira americana

Enterro do ex-presidente George H. W. BushEnterro do ex-presidente George H. W. Bush - Foto: AFP

Os Estados Unidos se despedem, nesta quarta-feira (5), do ex-presidente George H. W. Bush, com um dia de luto nacional e um funeral de Estado em Washington, ao qual assistem dirigentes nacionais e internacionais do presente e do passado para homenagear este que é considerado um exemplo de unidade em um país atualmente dividido.

O caixão com o corpo do 41º presidente americano, falecido na sexta-feira aos 94 anos, chegou à Catedral Nacional de Washington pouco após as 14h de Brasília, trazido do Congresso, onde foi velado nas últimas 36 horas.

Leia também:
Cão de George Bush comove internautas ao ser fotografado ao lado do caixão
EUA inicia semana de homenagens a George W. Bush
Morre Barbara Bush, ex-primeira-dama dos EUA
Ex-presidente americano George H.W. Bush morre aos 94 anos


A família de Bush, inclusive seu filho mais velho, de 72 anos, 43º presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, acompanhou o caixão, coberto com a bandeira americana. Antes do início da cerimônia, Bush filho ofereceu um caramelo à ex-primeira-dama, Michelle Obama, repetindo o gesto feito durante o funeral do senador John McCain, em setembro. Quando o ex-presidente chegou à catedral, saudou o atual presidente, Donald Trump, e sua esposa, Melania, sentados na primeira fila.

Em seguida, o republicano apertou a mão do ex-presidente democrata, Barack Obama, e de Michelle, fazendo-a sorrir ao, aparentemente, passar-lhe a bala. Bush seguiu saudando o ex-presidente Bill Clinton (também democrata), a ex-primeira-dama e ex-candidata à Presidência, Hillary Clinton, o ex-presidente Jimmy Carter, e sua esposa, Rosalynn.

Ao chegar, Trump e Obama trocaram o primeiro aperto de mãos desde a sucessão presidencial, em 20 de janeiro de 2017. Mas os Trump não cumprimentaram os Clinton e os Carter. Este último, no entanto, havia trocado pouco antes algumas palavras com o vice-presidente Mike Pence.

Na catedral neogótica também estão presentes o príncipe Charles, da Inglaterra; a chanceler alemã, Angela Merkel; o rei jordaniano Abdullah II e a rainha Rania; o presidente polonês, Andrzej Duda, acompanhado de Lech Walesa. O papa Francisco enviou em um telegrama suas sinceras condolências à família Bush.

"Um grande homem" 

Em demonstração de respeito, dezenas de pessoas se reuniram na Avenida Pensilvânia, centro da capital, para acompanhar o cortejo fúnebre, o primeiro funeral presidencial celebrado desde que Gerald Ford morreu, no fim de 2006. Trump, que não discursará no funeral, mudou nesta ocasião seu habitual tom de confronto por outro mais solene.

"Isto não é um funeral, é um dia de celebração para um grande homem que levou uma vida longa e distinta. Fará falta!", tuitou mais cedo. A ascensão de Trump no Partido Republicano e sua surpreendente vitória em 2016 levaram a um duro confronto com esta emblemática família da política americana. Trump não compareceu em abril ao funeral de Barbara Bush, esposa de George H.W, muito estimada pelos americanos.

Mas desde a morte do patriarca dos Bush, o presidente americano deixou de lado o estilo agressivo, aparentemente decidido a prestar todas as homenagens e fazer as pazes com sua família: mandou o avião presidencial ao Texas para trazer o caixão, convidou os familiares a ficarem na Blair House, a residência de hóspedes presidencial em frente à Casa Branca, e na terça visitou George W. Bush e sua esposa, Laura.

Um servidor amável e humilde 

Dezenas de milhares de pessoas passaram desde segunda-feira à noite diante do caixão do 41º presidente dos Estados Unidos na Rotunda do Capitólio, onde George H. W. Bush iniciou sua carreira política nos anos 1960, para prestar seus respeitos a quem comandou o país entre 1989 e 1993, na época turbulenta do fim da Guerra Fria.

Em um momento de profundas divisões políticas nos Estados Unidos, Bush foi considerado esta semana um servidor amável e humilde de seu país, um verdadeiro patriota e o último líder da chamada "Grande Geração".

"Podemos estar de acordo ou desacordo com as políticas", disse à AFP Monica Harisson, que trabalhou oito anos para o governo Reagan. "Mas se respeitamos o ser humano, acho que é um marco muito mais amplo para a civilidade e a boa vontade no país".

Nascido em uma família rica da Nova Inglaterra e filho de um senador, Bush teve uma produtiva carreira política antes de chegar à Casa Branca: foi condecorado piloto de caça na Segunda Guerra Mundial, embaixador na China, diretor da Agência Central de Inteligência (CIA) e vice-presidente de Ronald Reagan.

Após uma cerimônia final na Igreja Episcopal de San Martin, em Houston, o 41° presidente da história dos Estados Unidos será enterrado atrás da Biblioteca e Museu Presidencial George Bush, no campus da Universidade do Texas A&M, ao lado de Barbara, sua esposa durante 73 anos, e Robin, sua filha que faleceu em 1953, vítima de leucemia quando tinha três anos. Por ser dia de luto nacional, muitos escritórios federais estão fechados, assim como as bolsas em Wall Street. O Congresso também suspendeu seus trabalhos.

Veja também

Portaria restringe entrada de estrangeiros no país
Coronavírus

Portaria restringe entrada de estrangeiros no país

Novo lote com 300 mil doses da vacina da Janssen chega ao Brasil
Vacina

Novo lote com 300 mil doses da vacina da Janssen chega ao Brasil