EUA mantêm conversas com número dois do chavismo, diz agência

A informação foi passada para a agência de notícias AP por um oficial sênior do governo Trump, e divulgada pelo jornal The Washington Post nesta segunda (19)

Presidente dos Estados Unidos, Donald TrumpPresidente dos Estados Unidos, Donald Trump - Foto: Nicholas Kamm / AFP

Os Estados Unidos têm mantido contato com o número dois do chavismo, Diosdado Cabello, em um momento no qual aliados de Nicolás Maduro buscam garantias de que não serão processados por supostos crimes caso cedam a pressões para tirar o ditador do poder.

A informação foi passada para a agência de notícias AP por um oficial sênior do governo Trump, e divulgada pelo jornal The Washington Post nesta segunda (19).

Cabello, o homem mais poderoso da Venezuela depois de Maduro, teve uma reunião em Caracas, em julho, com um alto oficial da administração americana. Um segundo encontro está sendo planejado.

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O nome do representante dos EUA foi mantido em silêncio, e não se sabe se as conversas têm a anuência de Maduro ou não.

A influência de Cabello vem se acentuando à medida em que o controle de Maduro sobre o governo diminui. Por outro lado, o braço direito de Maduro e chefe do partido socialista já foi acusado pelos EUA de tráfico de drogas, corrupção, e até de ameaçar de morte um senador americano.

O funcionário do governo disse que os EUA não estão tentando apoiar Cabello ou abrir caminho para que ele eventualmente substitua Maduro. O objetivo dos encontros seria aumentar a pressão sobre o regime, contribuindo para a briga que os EUA acreditam estar ocorrendo nos círculos de poder do partido de Maduro.

Um assessor do governo Trump rejeitou a ideia de que Cabello estaria traindo Maduro, dizendo que ele só se encontraria com os americanos com a permissão do ditador e desde que isso contribuísse para aliviar as sanções econômicas que seriam as responsáveis por prejudicar a economia da Venezuela.

Uma fonte familiarizada com o encontro de julho disse que Cabello chegou à reunião com o enviado dos EUA bem preparado, mostrando clara compreensão dos problemas políticos da Venezuela.

Enquanto a crise no país se agrava, um padrão previsível se estabelece. O presidente interino autodeclarado Juan Guaidó, apoiado pelos EUA e por dezenas de outros países, não tem força suficiente para atrair a lealdade das forças armadas e tomar o poder.

Em paralelo, Maduro não consegue apreender Guaidó ou fazer com que a economia se recupere, após sanções cada vez mais rigorosas dos EUA.

Este mês, o presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva que congela todos os bens do regime de Maduro nos EUA. O país também ameaça punir empresas de outros países que continuem a fazer negócios com a Venezuela.

Além disso, negociações intermediadas pela Noruega entre oposição e governo foram abandonadas este mês por Maduro, que acusou Guaidó de apoiar os bloqueios impostos pelos EUA. Nem Cabello, nem o exército venezuelano e tampouco o governo dos EUA participam dessas negociações.

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