Expedição volta da zona abissal da Austrália com 'animais mais feios do mundo'

Na viagem, foram capturados cerca de 42.000 peixes e invertebrados

Documento da Royal Society mostra a morfologia de espécimesDocumento da Royal Society mostra a morfologia de espécimes - Foto: Axel Newton/Royal Society/AFP

Mais de 100 espécies de peixes que raramente podem ser observados foram tirados das profundidades da zona abissal da Austrália durante uma expedição científica onde foram encontrados alguns "dos animais mais feios do mundo". O resultado foi apresentado por pesquisadores nesta quarta-feira (21).

Com a ajuda de redes, sonares e câmeras especiais para perscrutar os recônditos do oceano, os cientistas passaram um mês em uma embarcação na costa do leste da Austrália para estudar a fauna que vive a cerca de 4,8 quilômetros de profundidade.

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Na viagem, foram capturados cerca de 42.000 peixes e invertebrados, alguns dos quais podem ser novas especies. O material será analisado por um grupo de cientistas esta semana em Hobart, capital da Tasmânia.

Entre os animais, há vários peixes-gota, um tipo de animal característico por seu aspecto aterrador. Em 2013, um deles, o Psychrolutes microporos, foi votado como "o animal mais feio do mundo" em uma lista promovida por um grupo para preservação do meio ambiente e que se tornou uma sensação global.

Outras estrelas da mostra são um tubarão biolumiscente com dentes afiados como facas, um espantoso peixe-lagarto, ou o gracioso peixe-tripé, que espera no fundo do mar que a comida chegue ao seu alcance.

Para o especialista Martin Gomon, do Museu Victoria, a reunião em Hobart é a primeira tentativa sistemática de examinar a vida na zona abissal da Austrália. "Para nós, a bordo, houve muita emoção de poder ver esses incríveis peixes que nos entregam essa informação quando emergem nas redes, e estamos esperando com ansiedade a oportunidade de examiná-los mais de perto em Hobart esta semana", disse Gomon.

A vida nessas profundidades enfrenta condições únicas pela falta de luz, pela escassez de alimento e pelas gélidas temperaturas, motivo pelo qual os animais que se adaptam a esse entorno desenvolvem características únicas para sobreviver.

Já que têm pouca comida, são, em geral, pequenos e se movem lentamente. Muitos parecem medusas e passam a vida flutuando, mas outros são predadores com espinhos e presas assustadores.

O encarregado da Coleção Nacional de Peixes da Austrália, Alastair Graham, disse que este é o maior e mais profundo hábitat do planeta, cobrindo um terço do território da Austrália. "Mas continua sendo o lugar menos explorado da Terra", apontou.

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