Fim de ano sangrento em Bagdá por duplo atentado suicida

Dois homens-bomba detonaram explosivos quase simultaneamente, em um mercado atacadista de Al Sinek

Militância petista realiza ato pela NormandiaMilitância petista realiza ato pela Normandia - Foto: Divulgação

Ao menos 27 pessoas morreram neste sábado, último dia do ano, em um duplo atentado suicida em um mercado de Bagdá, num momento em que as forças iraquianas têm dificuldades para tomar Mossul do grupo extremista Estado islâmico.

O ataque, que até agora não foi reivindicado, ocorreu na manhã do dia 31 em um mercado atacadista de Al Sinek, no coração de Bagdá, onde são vendidas, principalmente, peças de reposição para automóveis e roupas.

Dois homens-bomba detonaram suas cargas quase simultaneamente pela manhã, num momento de muito movimento no local. Os estandes voaram pelos ares com as explosões. Entre os escombros das instalações, era possível ver manchas de sangue.

"Há 27 mortos e 53 feridos", declarou um coronel da polícia à AFP. Um funcionário de alto escalão do ministério do Interior e uma fonte do hospital confirmaram este balanço.

"Muitas vítimas eram funcionárias de lojas que vendem peças de reposição. Estavam reunidas para o café da manhã quando as explosões aconteceram", disse Ibrahim Mohamed Ali, um vendedor.

Pela manhã, o ataque não havia sido reivindicado, mas o grupo extremista sunita Estado Islâmico (EI) assume a maioria dos ataques suicidas e atentados com bomba cometidos na capital iraquiana e no resto do país.

No campo militar, o EI combate em Mossul, no norte do Iraque, as forças iraquianas. Mossul é a segunda maior cidade do Iraque e o último reduto dos extremistas no país.

Este duplo ataque tinge de luto a festa de Ano Novo em Bagdá, onde os moradores se preparam para celebrar a data nas ruas, apesar da tensão devido à segurança.

Este ataque também coloca fim a um breve período de relativa calma na capital iraquiana.

Três meses para eliminar o EI

O último atentado de grande porte em Bagdá foi registrado em meados de outubro, quando um suicida detonou seus explosivos durante uma cerimônia religiosa em um bairro xiita, matando ao menos 34 pessoas.

O atentado deste sábado também coloca em evidência a precariedade da segurança no Iraque, inclusive em zonas que não estão controladas pelos extremistas ou em setores que as forças iraquianas tomaram do grupo extremista, depois de lançar uma grande ofensiva no norte do país.

Nos arredores de Mossul, em Gogjali, uma cidade reconquistada pelas tropas iraquianas em novembro, pelo menos 23 pessoas morreram em três atentados simultâneos na semana passada.

Em Mossul, a polícia, o exército e as forças de elite do serviço antiterrorista (CTS) lançaram na quinta-feira a segunda fase de sua ofensiva para tentar retomar o controle da cidade, nas mãos do EI desde junho de 2014.

Desde 17 de outubro, quando a primeira fase do dispositivo foi implementada, as forças iraquianas conseguiram conquistar muitos bairros do leste de Mossul, mas o EI segue controlando o setor oeste.

No leste de Mossul, soldados e policiais, com o apoio da coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos, travam uma dura batalha urbana em uma cidade que conta com uma densa população civil.

Atualmente, a promessa do primeiro-ministro, Haider al Abadi, de controlar totalmente Mossul até o final do ano já não pode ser cumprida. Nesta semana, ele falou de um novo prazo.

"As informações disponíveis mostram que o Iraque precisa de três meses para eliminar o Daesh (sigla árabe do EI)", declarou em uma coletiva de imprensa.

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