Governo Trump quer mais tempo para reunir famílias de imigrantes

O pedido do governo por extensão do prazo foi protocolado horas antes de uma audiência sobre o assunto nesta sexta-feira

Migrantes detidos nas fronteiras dos Estados UnidosMigrantes detidos nas fronteiras dos Estados Unidos - Foto: HANDOUT / US CUSTOMS AND BORDER PROTECTION /

O governo de Donald Trump está pedindo na Justiça mais tempo para reunir famílias separadas na fronteira com o México, de acordo com documentos protocolados na quinta-feira (5) pelo Departamento de Justiça americano.

Em 26 de junho, o juiz federal Dana Sabraw havia estipulado que a administração tinha até 10 de julho para reunir pais e filhos menores de cinco anos. O prazo final para que todas as famílias fossem reunidas é 26 de julho.

O pedido do governo por extensão do prazo foi protocolado horas antes de uma audiência sobre o assunto nesta sexta-feira (6). Os documentos afirmam que o Departamento de Saúde e Serviços Humanos acelerou os procedimentos para reunir as famílias, mas que pode precisar de mais tempo.

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Segundo a administração, as leis federais exigem que se assegure que as crianças estejam seguras, e isso demora. O governo afirma que a agência precisa ter "um entendimento independente de que o indivíduo não está envolvido em nenhuma atividade que poderia representar um risco potencial à criança" antes da reunião.

Além disso, a agência diz estar usando testes de DNA para confirmar o parentesco dos adultos e menores, e que o resultado pode demorar, especialmente se for inconclusivo.

Por isso, o Departamento de Justiça pediu à corte de San Diego para reunir as famílias fora do prazo estipulado "em casos em que o parentesco não possa ser confirmado rapidamente."

O governo disse ainda estar disposto a propor datas alternativas. No processo, o Departamento de Justiça busca esclarecer se precisa ou não reunir crianças migrantes com pais que já foram deportados, indicando que isso pode ser difícil e consumir tempo.

Os procuradores também querem saber se devem considerar apenas famílias separadas a partir de maio, com a entrada em vigor da política de tolerância zero. Os documentos protocolados detalham as medidas adotadas pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos para cumprir a ordem, como a contratação de funcionários.

Na quinta-feira (5), o Departamento de Saúde e Serviços Humanos americano divulgou nova estimativa em que diz haver menos de 3.000 crianças sob custódia nos abrigos espalhados pelos EUA, mas não especificou o número.

A agência diz saber nomes e localização de todas as crianças que estão sob sua custódia. Porém, afirma que podem faltar detalhes sobre os pais detidos pelo Departamento de Segurança Doméstica.

Também na quinta, o governo anunciou que mais de 42 mil imigrantes foram apreendidos ou barrados em junho tentando entrar pela fronteira com o México. No primeiro semestre, houve um salto de 92% nas apreensões ou inadmissões.

A política de tolerância zero foi anunciada em abril pelo secretário de Justiça, Jeff Sessions, que determinou que todos os que atravessam ilegalmente a fronteira com o México deveriam ser denunciados e cumprir pena em prisões federais.

Seis semanas após a ordem ser emitida, 1.995 crianças haviam sido separadas dos pais, segundo dados da secretaria de Segurança Doméstica. A comoção internacional provocada pela medida fez com que o presidente Donald Trump recuasse e assinasse, em 20 de junho, uma ordem executiva (espécie de decreto) para manter as famílias unidas.

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