Iraque entra em espiral de protestos com 60 mortos em quatro dias

Confrontos entre forças antidistúrbios e manifestantes se intensificaram, e a principal autoridade xiita do país tomou partido dos participantes nos protestos

Manifestantes no Iraque Manifestantes no Iraque  - Foto: AFP

O Iraque voltou a viver um dia de protestos sangrentos na sexta-feira (4), com milhares de manifestantes nas principais cidades do país exigindo reformas econômicas e o fim da corrupção, um movimento cuja repressão causou 60 mortes em quatro dias.

Os confrontos entre forças antidistúrbios e manifestantes se intensificaram, e a principal autoridade xiita do país tomou partido dos participantes nos protestos.

Mais de 60 pessoas morreram e mais de 1.600 ficaram feridas desde a terça-feira em uma onda de protestos no Iraque, informou na noite desta sexta-feira (4) a comissão governamental de direitos humanos iraquiana, que não detalhou em que regiões as vítimas mortais foram registradas. Em um dos hospitais de Bagdá foram contabilizados 18 mortos.

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A polícia acusou grupos de "franco-atiradores não identificados" de dispararem em protestos na capital. Dois civis e dois membros das forças de segurança morreram por causa desses disparos, segundo o comunicado oficial.

Apesar do bloqueio da Internet, os iraquianos voltaram às ruas na sexta-feira, especialmente em Bagdá, na Praça Tahrir.

Em um bairro residencial perto da Praça Tahrir, a maioria das lojas e postos de gasolina fecharam. Os clientes lotaram os poucos estabelecimentos abertos, onde os preços triplicaram devido ao fechamento das estradas que levam a Bagdá.

Ao anoitecer, os tiroteios foram incessantes. Várias pessoas foram baleadas, principalmente na barriga e na cabeça.

Ainda assim, o primeiro-ministro iraquiano Adel Abdel Mahdi ordenou a suspensão no sábado às 05h00 do toque de recolher em Bagdá.

O movimento, inédito por sua natureza espontânea em um país onde as mobilizações geralmente são partidárias ou obedecem a motivos tribais ou religiosos, é um teste decisivo para o governo de Adel Abdel Mahdi, que assumiu o poder há apenas um ano e pediu paciência.

Os protestos, que começaram na terça-feira, intensificaram-se desde quinta-feira à noite. O chefe do governo pediu tempo para melhorar as condições de vida dos 40 milhões de habitantes do país, que há dois anos deixaram para trás quase quatro décadas de guerra e uma escassez crônica de eletricidade e água potável.

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