Israel provoca novo impasse

Para a ONU, a iniciativa de Israel bloqueia uma solução para dois estados

Em Aqraba, o assentamento judaico Maale EfrayimEm Aqraba, o assentamento judaico Maale Efrayim - Foto: Jaafar ashitiyeh/afp

 

Israel anunciou, na quarta-feira (24) a construção de 2.500 residências na Cisjordânia ocupada, aproveitando a situação mais favorável em Washington após a chegada de Donald Trump à Casa Branca.Trata-se da segunda decisão israelense sobre a colonização em apenas dois dias, após a autorização, por parte da cidade de Jerusalém, da construção de 566 residências nos bairros de colonos de Jerusalém Oriental, parte majoritariamente palestina que foi ocupada e anexada por Israel, após a Guerra de Seis Dias, em 1967.

A justificativa do ministro da Defesa, Avigdor Lieberman, e o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, é de que seria “para atender as necessidades de moradia e da vida cotidiana”, anunciou um porta-voz do Ministério da Defesa, quatro dias depois da posse de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos.

Este anúncio reflete a vontade claramente afirmada pelo governo israelense de aproveitar a nova situação criada após a chegada de Trump à Casa Branca, depois de oito anos de oposição de Obama à colonização. “Estamos construindo e vamos continuar construindo”, afirmou Netanyahu em sua conta no Twitter.

O governo palestino condenou este novo anúncio. “A comunidade internacional deve exigir imediatamente que Israel preste contas”, disse Saeb Erakat, da Organização para Libertação da Palestina (OLP).

Netanyahu afirmou na última segunda-feira que a situação havia mudado desde a posse de Trump. Depois de oito anos de “pressões enormes” sobre os temas de Irã e das colônias, “estamos diante de uma grande oportunidade para a segurança e o futuro do Estado de Israel”, assinalou.

Diferentemente do governo democrata, até o momento a administração de Trump não condenou o anúncio israelense.

Para as Nações Unidas (ONU) a iniciativa de Israel para acelerar a colonização bloqueia uma solução de dois Estados.”Toda decisão unilateral que possa obstruir o objetivo de dois Estados preocupa o secretário-geral, Antonio Guterres”, declarou o porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric. Dujarric reafirmou que a postura das Nações Unidas sobre a construção de residências israelenses na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental “não mudou”. “E incluímos as decisões unilaterais”.

“As duas partes devem se comprometer com uma negociação de boa fé para atingir o objetivo de dois estados - Israel e Palestina - para dois povos”.

 

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