Itália proíbe novamente acesso de barcos com imigrantes

Ministro italiano do Interior, Matteo Salvini, disse que dois navios de uma ONG "chegaram em frente à costa líbia, à espera de seu carregamento de seres humanos abandonados por traficantes"

Barco de resgate transporta imigrantesBarco de resgate transporta imigrantes - Foto: Kenny Karpov / SOS MEDITERRANEE / AFP

O ministro italiano do Interior, Matteo Salvini, proibiu novamente o acesso a seus portos, neste sábado (16), de dois navios de uma ONG, o que pode agravar as tensões europeias em torno da crise migratória.

"Enquanto o barco 'Aquarius' navega para a Espanha (aonde chegará no domingo), outros dois navios de uma ONG de bandeira holandesa (Lifeline e Seefuchs) chegaram em frente à costa líbia, à espera de seu carregamento de seres humanos abandonados por traficantes", declarou Salvini, que também é vice-primeiro-ministro e líder da Liga (extrema direita).

"Que esses senhores saibam que a Itália já não quer ser cúmplice do negócio da imigração clandestina e que deverão buscar outros portos para se dirigirem. Como ministro e como pai, faço isso pelo bem de todos", acrescentou Salvini.

Leia também:
Novo primeiro-ministro da Itália veio do FMI
Morrem 47 imigrantes no litoral da Tunísia
Debate sobre imigração causa racha em coalizão de Merkel
Expulsar imigrantes será prioridade, diz novo ministro do Interior italiano


A recusa da Itália, em 10 de junho, de receber o Aquarius, barco humanitário com mais de 600 imigrantes, lançou a Europa em outra crise política sobre o assunto migratório. "O navio se chamar Aquarius ou See-Watch 3 não muda nada, queremos dar fim a este tráfico de seres humanos, e se há outros navios de outras ONGs sobre bandeira estrangeira, teremos o mesmo raciocínio", afirmou nesta semana Salvini.

Essa declaração deixa em aberto a possibilidade de outras embarcações, como as da Marinha italiana ou de guardas-costeiros, poderem atracar nos portos italianos com migrantes resgatados a bordo.

Esse será o caso do navio da Marinha americana US Trenton, que ruma para um porto italiano - ainda não especificado - após ter resgatado, no começo da semana, cerca de 40 migrantes depois de sua embarcação naufragar a cerca de 20 milhas da costa líbia.

A ONG See-Watch afirmou que 12 pessoas morreram no naufrágio e que o barco americano pediu assistência nesta terça-feira, "informando de 40 sobreviventes a bordo e 12 corpos" que ainda seriam recuperados. "Desde então, não tivemos mais notícias", destacou a ONG Sea Watch, dando a entender que os corpos talvez não tenham sido encontrados.

Crise franco-italiana

Outra vertente da crise migratória na Europa é o Aquarius, navio fretado pela ONG francesa SOS Méditerranée, proibido de atracar em um porto italiano nesta semana. O barco ficou sem destino até que a Espanha decidiu recebê-lo no porto de Valencia, aonde deve chegar neste domingo, escoltado por dois barcos italianos.

Esse episódio despertou uma crise diplomática entre França e Itália, depois que o presidente Emmanuel Macron denunciou o "cinismo e a irresponsabilidade do governo italiano".

A Itália pediu que o vizinho se desculpasse formalmente e acusou a França de não ter cumprido seus compromissos em matéria de acolhimento de imigrantes. A tensão se acalmou na sexta-feira (15), quando Macron e o chefe de Governo italiano, Giuseppe Conte, almoçaram juntos em Paris.

Veja também

Brasileiros protestam em Lisboa contra o presidente Bolsonaro
Manifestações

Brasileiros protestam em Lisboa contra o presidente Bolsonaro

Pela 1ª vez, EUA celebram feriado nacional que marca fim da escravidão no país
Juneteenth

Pela 1ª vez, EUA celebram feriado nacional que marca fim da escravidão no país