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Kim Jong-un e Putin se reúnem na Rússia no final de abril

Este será o primeiro encontro entre Kim e o presidente russo

Kim Jong-un, líder norte-coreanoKim Jong-un, líder norte-coreano - Foto: KCNA VIA KNS / AFP

O Kremlin anunciou nesta quinta-feira (18) a preparação de uma cúpula inédita entre o líder norte-coreano, Kim Jong-un, e o presidente Vladimir Putin, prevista para o final de abril na Rússia. "A convite de Vladimir Putin, Kim Jong-un viajará para a Rússia para uma visita durante a segunda metade do mês de abril", informou o Kremlin em um comunicado.

Este será o primeiro encontro entre Kim e o presidente russo. Os dois países mantêm relações de amizade. Esta cúpula era alvo de especulação há vários na imprensa russa, sul-coreana e aponesa.

Citando fontes diplomáticas, o jornal russo "Izvestia" informou na quarta-feira que o encontro será na cidade russa de Vladivostok, situada perto da Coreia do Norte, antes de uma viagem de Putin à China em 26 e 27 de abril para um fórum econômico. A Rússia tem de dizer algo sobre a situação na península coreana, disse Andrei Lankov, da Universidade Kookmin, em Seul.

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Nos últimos anos, autoridades russas viajaram várias vezes para a Coreia do Norte, e vice-versa. Assim como a China, a Rússia promove o diálogo com a Coreia do Norte com base.

Kim Jong-un iria a Moscou em maio de 2015 para uma cerimônia pelos 70 anos da vitória na Segunda Guerra Mundial, mas desistiu dias antes do evento. Em 2011, o pai de Kim Jong-un, Kim Jong-il, viajou para a Sibéria para conhecer Dimitri Medvedev, atual primeiro-ministro russo, na época presidente. O líder norte-coreano, que morreu pouco depois da visita, disse que estava disposto a desistir de testes nucleares.

O enviado norte-americano para a Coreia do Norte, Stephen Biegun, e a assessora de Trump, Fiona Hill, estão atualmente em Moscou para conversar com autoridades russas.

'Gângster'
A Coreia do Norte acusou Mike Pompeo de falta de prudência e maturidade e solicitou a nomeação de um novo interlocutor para os Estados Unidos. Depois de um 2018 marcado por uma reaproximação espetacular na península coreana e uma cúpula histórica entre Kim e Trump, o reaquecimento da relação parece mais frágil após o fracasso da segunda cúpula em fevereiro.

A Coreia do Norte já havia acusado Pompeo, bem como o conselheiro de segurança nacional da Casa Branca, John Bolton, de ser responsável pelo fracasso da cúpula de Hanói por "criar uma atmosfera hostil e de desconfiança". No verão passado, a Coreia do Norte denunciou seus "métodos de gângster".

O diretor-geral do Departamento de Assuntos Americanos do Ministério das Relações Exteriores da Coreia do Norte, Kwon Jong-gun - que, de acordo com a KCNA, respondeu a uma pergunta de um jornalista -, disse que o líder Kim Jong-un deixou claro que a atitude dos Estados Unidos deveria mudar.

Desde o início do processo diplomático no ano passado, Pyongyang sempre preferiu lidar diretamente com Pompeo, que apresenta Kim como seu "amigo" e quase nunca evoca a violação dos direitos humanos atribuída ao regime norte-coreano.

Em reação, o Departamento de Estado americano disse nesta quinta-feira que ainda está pronto para negociar com a Coreia do Norte, depois que o regime pediu o afastamento de Pompeo. "Os Estados Unidos continuam prontos para se envolver com a Coreia do Norte em negociações construtivas", disse um porta-voz do Departamento de Estado.

De acordo com a agência oficial norte-coreana KCNA, Kwon Jong-gun disse que, "se Pompeo continuar participando das negociações, elas se complicarão novamente". Ele descreveu Pompeo como "irresponsável".

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