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Líder cubano estreia falando de Lula e defendendo venezuelano

Díaz-Canel, que assumiu o poder em abril após uma sucessão planejada pelo ditador Raúl Castro, é o primeiro líder cubano que não integra a família Castro desde 1959

Novo dirigente cubano, Miguel Díaz-CanelNovo dirigente cubano, Miguel Díaz-Canel - Foto: John Moore/Getty Images North America/AFP

O aguardado discurso de estreia do novo dirigente cubano, Miguel Díaz-Canel, na Assembleia-Geral da ONU não tratou de abertura econômica ou política em Cuba, mas veio recheado de farpas aos EUA e uma crítica ao que chamou de prisão com fins políticos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Díaz-Canel, que assumiu o poder em abril após uma sucessão planejada pelo ditador Raúl Castro, é o primeiro líder cubano que não integra a família Castro desde 1959. Usou sucintos 19 minutos, 7% dos históricos 269 minutos de duração do discurso do ditador Fidel Castro em 1960.

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"Denunciamos o encarceramento com fins políticos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a decisão de impedir o povo de votar e eleger à Presidência o líder mais popular do Brasil", afirmou nesta quarta (26) Díaz-Canel, que, nascido em 1960, após a Revolução de 1959, faz sua primeira viagem aos EUA.

Lula está preso desde abril na sede da Polícia Federal em Curitiba, onde cumpre pena de 12 anos e 1 mês de prisão após ser condenado por corrupção e lavagem de dinheiro em um caso envolvendo um tríplex no Guarujá (SP), e teve sua candidatura à Presidência impugnada.

O cubano também acusou Donald Trump de implantar uma política imperialista na América Latina e de atacar com especial sanha a Venezuela. "Nesse contexto ameaçador, reiteramos o nosso absoluto respaldo à revolução bolivariana e chavista, à união cívico-militar do povo venezuelano e o seu governo legítimo e democrático", disse.

Ele criticou a aplicação de sanções econômicas e comerciais contra a Venezuela, que, afirma, buscam asfixiar economicamente o país. Díaz-Canel disse rejeitar ainda as tentativas de desestabilizar o governo da Nicarágua, que definiu como "um país de paz" embora relatório da própria ONU indique que mais de 300 pessoas foram mortas pela repressão do regime de Daniel Ortega desde abril aos protestos por sua saída.

O cubano manteve o mesmo tom combativo adotado pelos irmãos Castro ao se referir aos EUA. O discurso de Fidel nos 50 anos da ONU, em 1995, foi lembrado.
Nas declarações, o comandante-em-chefe da Revolução Cubana defendeu um mundo sem hegemonias, sem armas nucleares, sem intervencionismos e ódios nacionais e religiosos, sem ultrajes à soberania de nenhum país e que respeite a independência da livre determinação dos povos.

Ele pregou um discurso de continuidade, e não ruptura, com as políticas dos irmãos Castro. "Apesar do bloqueio, da hostilidade e das ações dos Estados Unidos para impor uma mudança de regime em Cuba, aqui está a Revolução Cubana, viva e pujante, fiel a seus princípios", afirmou.

"Díaz-Canel acusou o governo de Donald Trump de restabelecer a Doutrina Monroe, que vigorou no século 19 e representava o forte nacionalismo resumido na expressão "A América para os americanos".

Ele se juntou aos apelos para reformar o Conselho de Segurança, instrumento usado, segundo ele, pelos EUA para "impor sua agenda política".

Em mais de uma ocasião, enquanto Díaz-Canel criticava o governo de Trump, a câmera, que costuma focar o dirigente durante seu discurso, cortou para a delegação americana.

"O governo dos EUA mantém contra Cuba uma retórica agressiva e uma política dirigida a subverter o sistema político, econômico, social e cultural do país", afirmou o dirigente, que acusou os americanos de fabricar "artificialmente, com falsos pretextos, cenários de tensão e hostilidade que não beneficiam ninguém."

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