Líder indígena Raoni chega à Europa para defender a Amazônia

Raoni se encontrará com chefes de Estado, celebridades e papa para denunciar ameaças à Amazônia

Raoni, líder indígenaRaoni, líder indígena - Foto: Sergio Lima/AFP

O líder indígena Raoni chegou a Paris neste domingo (12), dando início a uma viagem de três semanas na Europa, onde se encontrará com chefes de Estado, celebridades e o papa para alertar sobre as crescentes ameaças à Amazônia.

Pertencente à etnia Kayapó, Raoni aproveitará a visibilidade internacional para tentar arrecadar um milhão de euros a fim de proteger a reserva do Xingu. Essa reserva localizada na Amazônia abriga vários povos indígenas, ameaçados por madeireiros e pelo agronegócio.

Raoni Metuktire, cuja luta pela defesa da Amazônia brasileira foi apoiada internacionalmente por figuras como o cantor Sting, viaja acompanhado por outros três líderes indígenas que vivem no Xingu.

A agenda inclui reuniões com o presidente francês Emmanuel Macron e seu ministro do Meio Ambiente, François de Rugy. Eles seguirão para a Bélgica, Suíça, Luxemburgo, Mônaco e Itália, onde se encontrarão com o Papa Francisco no Vaticano, segundo a Associação Foret Vierge, que Raoni preside de forma honorária.

Sua viagem ocorre em meio a tensões devido ao aumento das ameaças à Amazônia por parte dos setores de mineração e agricultura que encontraram um aliado no presidente Jair Bolsonaro, que já manifestou apoio à exploração de áreas protegidas.

Leia também:
Funai faz contato com índios isolados no Amazonas
Governo Bolsonaro quer dividir movimento indígena, dizem líderes

Os fundos arrecadados serão usados para substituir os sinais nos limites da vasta reserva do Xingu, para comprar drones e equipamentos técnicos para monitorar a região e proteger contra incêndios, informou a Foret Vierge em um comunicado.

Algumas comunidades no Xingu também precisam de recursos para saúde, educação e conhecimento técnico para a extração e comercialização de produtos renováveis obtidos na selva.

"Desta forma, os povos indígenas poderiam viver de maneira digna na reserva, protegendo a floresta e suas culturas ancestrais, em vez de ir para áreas rurais ou urbanas", disse o comunicado.

O Brasil deu início à demarcação de terras indígenas a partir da década de 1980, garantindo a algumas comunidades o direito a suas terras. No entanto, declarações de Bolsonaro, contrário desta política de demarcação, alarmaram as comunidades indígenas que mantêm décadas de luta para proteger seu território e suas culturas.

Veja também

Por margem apertada, Senado dos EUA mantém processo de impeachment de Trump
EUA

Por margem apertada, Senado dos EUA mantém processo de impeachment de Trump

Mundo ultrapassa a marca de 100 milhões de casos por Covid-19
Coronavírus

Mundo ultrapassa a marca de 100 milhões de casos por Covid-19