Líder oposicionista é preso em protesto contra Putin em Moscou

Ativista russo Alexei Navalni foi preso pela polícia ao tentar iniciar um protesto contra o presidente Vladimir Putin neste sábado (5), no centro de Moscou. Há relatos de mais de 200 outras detenções pelo país

O presidente russo Vladimir Putin O presidente russo Vladimir Putin  - Foto: Mikhail Klimentyev/Sputnik/AFP

O ativista e líder oposicionista russo Alexei Navalni foi preso pela polícia ao tentar iniciar um protesto contra o presidente Vladimir Putin neste sábado (5), no centro de Moscou. Ele não tinha autorização para o ato, e há relatos de mais de 200 outras detenções pelo país.

A manifestação com o mote "Ele não é nosso czar" visava criticar a posse de Putin na segunda (9). O presidente foi reeleito de forma esmagadora, com 76,7% dos votos no primeiro turno disputado em 18 de março.

A ossificação das estruturas políticas russas impediu concorrência real, e Navalni ficou fora do pleito por ter uma condenação na Justiça que ele alega ser fabricada, ainda que pesquisas lhe dessem traço de intenção de voto.

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Não há ainda uma estimativa do sucesso da manifestação, mas os relatos iniciais indicam que a intenção de levar milhares às ruas como ocorreu no ano passado fracassou.

Na praça Pushkinksaia, popular ponto de encontro de moscovitas no centro da cidade, as imagens disponíveis indicavam poucas centenas de presentes. Inicialmente, o grupo de Navalni queria fazer atos em 90 cidades, todos sem autorização.

Assim, houve prisões reportadas em várias regiões russas. O maior incidente foi em Krasnoiarsk, na Sibéria, onde 150 pessoas foram presas segundo os organizadores. O monitor independente de direitos humanos OVD Info foi mais conservador, falando em 20 detenções, mas essas estimativas sempre evoluem com o tempo.

Para Navalni, que já havia fracassado ao convocar um boicote à eleição de Putin ao quarto mandato no Kremlin, a opção pelo sacrifício midiático da prisão parecia a mais óbvia.

Sem autorização, sua prisão seria certa e atrairia a atenção da mídia ocidental, desviando o foco do sucesso em si da manifestação deste sábado (5). Ele deve passar até um mês detido e, depois, deverá ser solto. Isso ocorreu em todos os outros protestos que liderou.

Além de querer repetir o feito de 2017, quando em duas ocasiões conseguiu levar dezenas de milhares às ruas contra a corrupção governamental, Navalni buscava emular o ato ocorrido antes da posse de Putin em 2012 em Moscou, que disparou uma série enorme de protestos contra o jugo do presidente -que está no poder, contando seus dois mandatos como premiê, desde 1999 e só sai segundo as regras atuais do Kremlin em 2024.

Naquele momento, os atos eram concentrados na classe média urbana de Moscou e também em São Petersburgo, maiores cidades do país. Já os protestos de 2017 atraíram jovens convocados pela internet de forma mais dispersa por todo o território russo, notadamente em lugares distantes como a Sibéria e o Extremo Oriente.

A oposição formal russa, que Navalni vê como um peão para dar verniz democrático ao regime, geralmente critica o ativista por seu personalismo e por colocar adolescentes em situação de risco nos seus atos.

Nos atos deste sábado também foi registrada a presença de manifestantes pró-Putin. Em Moscou, havia grupos gritando o nome do presidente entre os apoiadores de Navalni.

Em Iakutsk, na remota e congelada República de Sakha, perto do Círculo Polar Ártico, jovens vestidos de cossacos (tradicionais desbravadores de fronteiras do czarismo) enfrentaram os manifestantes. A polícia interveio e pelo menos 75 pessoas foram presas, segundo a rede de Navalni.

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