Mais de 70 parlamentares britânicos pedem extradição de Assange para Suécia

Além disso, o governo do Equador afirmou que mantém detido o programador Ola Bini, ligado ao Assange

Julian Assange, fundador do WikileaksJulian Assange, fundador do Wikileaks - Foto: Daniel Leal-Olivas / AFP

Em carta enviada ao governo britânico, mais de 70 parlamentares pedem que "façam o possível" para permitir a extradição de Julian Assange para Suécia, caso o país solicitar.

O fundador do WikiLeaks foi preso na quinta-feira (11) na embaixada do Equador em Londres, onde ficou sete anos após um mandado de prisão britânico por acusações de estupro e agressão sexual na Suécia, que Assange sempre negou. O australiano também foi preso devido a uma ordem de extradição dos Estados Unidos, que o considera uma ameaça à sua segurança e quer julgá-lo.

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Os parlamentares querem que o ministro britânico do Interior, Sajid Javid, dê prioridade ao caso se houver a solicitação de extradição por parte da Suécia. "Isso permitiria encerrar a investigação em uma acusação de estupro e, se apropriado, apresentar acusações e realizar um julgamento", acrescentam.

Os parlamentares, que ao mesmo tempo asseguram que isso "não pressupõe a culpa" de Assange, consideram que o fundador do WikiLeaks deveria "ver que a justiça é feita". A carta afirma que a acusação de estupro tem "um limite de tempo que expira em agosto de 2020". 

A carta também foi enviada para Diane Abbott, ministra do Interior do gabinete do Partido Trabalhista, sigla da oposição. "Nenhuma acusação de estupro apresentada pelas autoridades suecas deveria ser ignorada", escreveu Diane Abbott no Twitter. "Mas o único pedido de extradição vem dos Estados Unidos", destacou, antes de recordar que o Partido Trabalhista é contrário a esta solicitação.

Programador preso
O governo do Equador afirmou nesta sexta-feira (12) que mantém detido o programador Ola Bini, ligado ao Assange. A ministra do Interior, Maria Paula Romo, afirmou que Bini pode ser indiciado por acusações relacionadas à interferência em comunicações privadas.

Bini vive em Quito, segundo Romo, visitou Assange diversas vezes na embaixada equatoriana em Londres. Nas últimas semanas, o presidente Lenín Moreno acusou o WikiLeaks e Assange de violação de sua privacidade pela publicação de fotos de sua família. O WikiLeaks nega a acusação e diz que Moreno tentava impedir a revelação de documentos com acusações de corrupção contra ele. 

"Ele está detido para fins de investigação. É uma detenção que aconteceu nas últimas horas, ordenada por juízes e requisitada por procuradores", afirmou Romo. "Essa pessoa é muito próxima ao WikiLeaks."

Em seu site, Bini se descreve como um desenvolvedor de softwares que trabalha para o Centro de Autonomia Digital, baseado em Quito. Não há menção ao WikiLeaks.

Romo disse que o governo tinha informações de que Bini teria viajado várias vezes com Ricardo Patino, que era ministro do Exterior do Equador quando Assange recebeu asilo em 2012 durante o governo do ex-presidente Rafael Correa. Em sua conta no Twitter, Patino negou conhecer Bini.

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