Mais de três meses de tempestade política na Venezuela com Guaidó

Os conflitos tiveram inicio quando Guaidó se autoproclamou presidente interino da venezuela

Líder da oposição venezuelana e autoproclamado presidente interino, Juan GuaidoLíder da oposição venezuelana e autoproclamado presidente interino, Juan Guaido - Foto: Federico Parra/AFP

A Venezuela vive horas de tensão, nesta terça-feira (30), após a rebelião de um grupo de militares em apoio ao líder opositor Juan Guaidó, algo que o governo de Nicolás Maduro denunciou como uma "tentativa de golpe de Estado".

Confira abaixo os eventos mais relevantes desde que Guaidó se proclamou, em 23 de janeiro, presidente interino da Venezuela para organizar eleições no país:

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'Autoposse'
23 de janeiro: Diante da multidão, Guaidó se autoproclama empossado, depois de o Congresso declarar Maduro "usurpador" na sequência do início de seu segundo mandato, em 10 de janeiro. A oposição venezuelana e vários governos não reconhecem o governo Maduro.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reconhece imediatamente o título de Guaidó, o que leva Maduro a romper relações diplomáticas com os Estados Unidos. Washington é seguida pelo Canadá e por vários países latino-americanos. Rússia, China, Cuba, Bolívia, Nicarágua e Turquia apoiam Maduro.

24 de janeiro: A Força Armada renova seu apoio a Maduro. O ministro da Defesa, Vladimir Padrino, denuncia um "golpe de Estado" em marcha, estimulado por Washington.

25 de janeiro: Maduro se diz disposto a se encontrar com Guaidó, que rejeita um "falso diálogo".

EUA aumentam a pressão
26 de janeiro: No Conselho de Segurança da ONU, os Estados Unidos convocam todos os países a apoiarem Guaidó. Rússia e China bloqueiam o projeto americano em apoio ao Parlamento, composto em sua maioria pela oposição.

O adido militar da Venezuela em Washington, José Luis Silva, diz que não reconhece a autoridade de Maduro.

A oposição parlamentar tramita uma anistia para funcionários civis e militares que "desconhecerem" Maduro.

28 de janeiro: os Estados Unidos sancionam a petroleira estatal PDVSA e dão a Guaidó o controle de ativos e contas venezuelanas no país.

29 de janeiro: o Tribunal Supremo de Justiça proíbe Guaidó de sair do país e congela suas contas, em investigação por "usurpar" funções de Maduro. Washington adverte contra qualquer "dano" ao opositor.

1° de fevereiro: os EUA reiteram que "todas as opções estão sobre a mesa" para "restaurar a democracia" e proíbem entidades estrangeiras que negociam com a PDVSA de usar o sistema financeiro americano desde 28 de abril.

Ultimato europeu e ajuda humanitária

2 de fevereiro: opositores e governistas marcham em Caracas. O general da Força Aérea Francisco Yáñez diz "não reconhecer" Maduro, sendo o militar de mais alta patente a fazê-lo.

4 de fevereiro: cerca de 20 países europeus reconhecem Guaidó como presidente, após um ultimato a Maduro para que convocasse eleições.

6 de fevereiro: o conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, John Bolton, anuncia que Washington livrará de sanções os militares que reconhecerem Guaidó.

7 de fevereiro: remédios e alimentos enviados pelos Estados Unidos chegam a Cúcuta, na Colômbia, na fronteira. Maduro acusa Washington de usar uma "crise humanitária inexistente" como "desculpa" para invasão militar.

12 de fevereiro: Guaidó anuncia que a ajuda humanitária entrará em 23 de fevereiro.

Dias depois, Maduro fecha o tráfego aéreo e marítimo com Curaçao e com a fronteira terrestre com o Brasil, onde também se armazena ajuda.

22 de fevereiro: o magnata Richard Branson organiza um show em Cúcuta. Guaidó aparece de surpresa, junto com os presidentes de Colômbia, Chile e Paraguai, desafiando a proibição de saída do país.

Maduro ordena o fechamento da fronteira com a Colômbia por Táchira.

23 de fevereiro: Distúrbios em pontos na fronteira da Venezuela com Colômbia e Brasil. Militares e grupos de civis armados bloqueiam a entrada de remédios e alimentos. O saldo é de sete mortos e centenas de feridos.

A Venezuela rompe relações com a Colômbia. Guaidó pede à comunidade internacional que considere "todas as opções".

25 de fevereiro: em Bogotá, Guaidó participa da reunião do Grupo de Lima, que descarta o "uso da força". Depois, parte em viagem por Brasil, Paraguai, Argentina e Equador.

28 de fevereiro: Rússia e China vetam projeto americano na ONU que buscava eleições "justas". Contraproposta de Moscou também naufraga.

Mais sanções e rebelião 
1° de março: os Estados Unidos anunciam sanções contra seis funcionários do alto escalão de segurança e revogam vistos de 49 pessoas próximas a Maduro. A lista inclui outras 77 pessoas.

4 de março: Guaidó volta para a Venezuela apoiado por manifestação de seguidores.

7 de março: O pior apagão na Venezuela afeta 23 de 24 estados, além de Caracas. Maduro denuncia sabotagem para desestabilizá-lo.

16 de abril: a Cruz Vermelha começa a distribuição de ajuda humanitária, após autorização de Maduro.

17 de abril: os Estados Unidos impõem sanções contra o Banco Central da Venezuela.

19 de abril: Guaidó convoca a "maior marcha" na Venezuela, para 1° de maio, com o objetivo de exigir "o fim definitivo da usurpação".

26 de abril: os Estados Unidos impõem sanções financeiras a Jorge Arreaza. A Rússia pede que "se ponha fim à política de chantagem" em defesa de Maduro.

28 de abril: Entram em vigor sanções americanas que proíbem a compra de petróleo da PDVSA.

30 de abril: Um grupo de militares se rebela contra o governo. Guaidó convoca a população a tomar as ruas até conseguir a queda de Maduro, que denuncia uma "tentativa de golpe de Estado".

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