Manifestantes diante de fim de semana crucial em Hong Kong

A megalópole do Sul da China vive sua pior crise em duas décadas, com manifestações quase diárias

A polícia protege uma delegacia de polícia contra manifestantes antigovernamentais no distrito de Mong Kok, em Hong KongA polícia protege uma delegacia de polícia contra manifestantes antigovernamentais no distrito de Mong Kok, em Hong Kong - Foto: Isaac Lawrence/AFP

O movimento pró-democracia de Hong Kong tem pela frente um fim de semana crucial, para quando estão convocados novos protestos depois dos violentos confrontos de terça-feira (13), no aeroporto internacional, e sob o fantasma de uma intervenção militar chinesa.

A megalópole do Sul da China vive sua pior crise em duas décadas, com manifestações quase diárias. O movimento se transformou em um desafio para o controle de Pequim sobre Hong Kong.

Depois de concentrar tropas na fronteira com Hong Kong, o governo chinês advertiu na quinta-feira (15) que não ficará "de braços cruzados", se o protesto pró-democracia continuar no território semiautônomo. A mídia estatal chinesa divulgou imagens de soldados e tanques em Shenzhen, a metrópole chinesa que faz fronteira com Hong Kong.

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Washington alertou Pequim sobre uma ação militar que, segundo especialistas, teria consequências desastrosas em termos de imagem e também economicamente. Na noite desta sexta-feira, milhares de manifestantes se reuniram em um parque da cidade para uma vigília destinada a pedir sanções internacionais contra os líderes do governo local.

Sem Tiananmen
O jornal nacionalista chinês "Global Times" fez nesta sexta-feira (16) uma rara referência à repressão na Praça Tiananmen, tema tabu na China, para afirmar que uma intervenção armada em Hong Kong não repetirá o massacre de junho de 1989 contra manifestantes civis em Pequim.

O governo em "Pequim não decidiu intervir pela força para acabar com os distúrbios em Hong Kong, mas esta opção - evidentemente - está disponível", destaca o editorial do jornal em língua inglesa.

E, mesmo que o governo decida enviar tropas contra os manifestantes, "o incidente em Hong Kong não será uma repetição do incidente político de 4 de junho de 1989", acrescenta o jornal. Não há um número oficial da sangrenta repressão na Praça Tiananmen, mas alguns especialistas falam em mais de mil mortos.

Muitas demissões

Nesta sexta, a Cathay Pacific anunciou a demissão do CEO Rupert Hogg. Isso aconteceu poucos dias depois de o governo da China ter criticado a companhia aérea, porque alguns de seus funcionários apoiaram o movimento pró-democracia em Hong Kong.

Em um comunicado enviado pela Cathay Pacific à Bolsa de Hong Kong, a empresa afirma que Hogg pediu demissão para "assumir a responsabilidade, como líder da empresa, pelos recentes acontecimentos".

Hogg foi substituído por Augustus Tang, executivo do grupo Swire, um conglomerado com sede em Hong Kong que é o principal acionista da Cathay.

Outro executivo da companhia aérea de Hong Kong, o diretor de Atendimento e Assuntos Comerciais Paul Loo, também anunciou sua demissão, alegando as mesmas razões que Hogg, segundo o comunicado.

Na semana passada, a Cathay Pacific provoco a revolta dos nacionalistas chineses, depois que alguns de seus 27.000 funcionários participaram das manifestações pró-democracia em Hong Kong, ou expressaram apoio ao movimento iniciado há dez semanas.

Os diretores de Cathay se apressaram em tranquilizar Pequim e se distanciaram da mobilização pró-democracia, prometendo na segunda-feira demitir todos os funcionários que participaram, ou apoiaram, as "manifestações ilegais".

Deste então, a Cathay Pacific demitiu quatro funcionários, incluindo dois pilotos.

Proibições
Os manifestantes organizam uma grande manifestação para domingo com o objetivo de mostrar que o movimento continua a ter grande apoio popular, apesar dos confrontos no aeroporto internacional de Hong Kong.

A violência dos confrontos prejudicou a imagem do movimento, que gozava, até então, de grande popularidade. O movimento promete uma manifestação pacífica, mas o risco de confronto é grande, mesmo que o protesto tenha sido autorizado pela prefeitura.

Outras concentrações foram anunciadas para este sábado, apesar de proibidas pelas autoridades. Depois de não ter falado nada sobre essa situação por semanas, o que o levou a ser acusado de manter uma posição indulgente para com o regime chinês, o presidente americano, Donald Trump, disse estar "preocupado" com o risco de repressão violenta.

A declaração pode piorar ainda mais as relações entre ambos os países, mergulhados em uma guerra comercial.

Trump também anunciou que planeja falar em breve com o presidente colega chinês, Xi Jinping, e exigiu que Pequim "resolva o problema em Hong Kong de maneira humana".

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