Marcha das Mulheres atrai milhares em cerca de 250 cidades dos EUA

Mulheres se reúnem para protesto contra as políticas adotadas pelo presidente Donald Trump

Marcha das Mulheres, nos Estados UnidosMarcha das Mulheres, nos Estados Unidos - Foto: Spencer Platt/ Getty Images North America / A

Uma onda cor-de-rosa e anti-Trump toma as ruas de Nova York no aniversário de um ano da posse de um dos presidentes mais impopulares da história dos Estados Unidos. Mulheres armaram um protesto nacional contra o republicano e suas políticas que entendem como misóginas e ofensivas na segunda grande marcha feminista desde o início deste governo.

"Ele está acabando com nossos direitos e precisamos nos manifestar, dizer que isso não está certo", dizia Melissa O'Brien, que se juntou à marcha perto do Central Park, com um cartaz em que o presidente aparece com a mão no sexo da Estátua da Liberdade. "Estava aqui com o mesmo pôster há um ano."

Sua amiga, Nancy Ireland, comentava que "é incrível como tudo isso ainda é válido". Os protestos agora também vêm na esteira da onda de denúncias de casos de assédio sexual que abalou Hollywood, o Vale do Silício, o jornalismo e outras indústrias no país. Mulheres -e muitos homens na marcha- gritavam em coro que o "presidente Trump precisa ir embora", alternando às vezes com o "este porco sexista precisa ir embora". Outros gritavam que tomariam "o país de volta".

Mesmo enfrentando um racha no plano nacional, já que duas organizações agora comandam as marchas das mulheres nos Estados Unidos, o movimento conseguiu armar protestos no aniversário da posse de Trump em todo o país -além de Nova York, Washington, Los Angeles, Filadélfia e Las Vegas realizariam suas marchas neste sábado. Em todo o país, cerca de 250 paradas eram esperadas.

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Organizadores do evento aguardavam centenas de milhares de mulheres nesses encontros pelo país. Em Nova York, a marcha que estava marcada para começar na lateral oeste do Central Park já transbordava de gente nas primeiras horas, com uma multidão que se estendia mais de dez quadras para o norte de onde deveria iniciar.

Nos cartazes, manifestantes expressam apoio a programas como o Daca, que protege imigrantes ilegais trazidos ainda crianças para os EUA, o seguro de saúde para crianças, que corre o risco de ser cancelado no país, e outras medidas que vão muito além da pauta feminista que deu origem à onda de protestos.

Os grupos por trás das manifestações, no entanto, concordam que o maior ponto da parada é incentivar o voto feminino nas eleições legislativas em novembro deste ano, que pode reverter o equilíbrio de poder no Congresso americano, hoje controlado pelos republicanos, o partido de Trump, a favor dos democratas, o partido da oposição.

Os protestos acontecem no primeiro dia em que o governo americano está paralisado, sem acesso a recursos federais para manter alguns de seus serviços básicos, depois que negociações em torno do orçamento ficaram travadas. Republicanos e democratas, no caso, discordam sobre uma série de reformas políticas. Enquanto o partido de Trump insiste na construção de um muro na fronteira com o México, a oposição tentou atrelar a proteção aos ilegais beneficiados pelo Daca a qualquer aprovação de um orçamento em Washington.

No primeiro aniversário de seu governo, Trump enfrenta a paralisia dos trabalhos no Congresso e a ira das feministas que saíram às ruas. Uma pesquisa desta semana realizada pela rede NBC e pelo jornal "The Wall Street Journal" aponta que só 39% dos americanos aprovam o seu governo, o número mais baixo para um presidente depois de um ano de mandato.

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