May defende o cargo após demissões de ministros por Brexit

May enfrenta o mal-estar dos eurocéticos de seu Partido Conservador, que acreditam que ela esteja fazendo muitas concessões a Bruxelas nas negociações de saída da UE

Primeira ministra britânica Theresa MayPrimeira ministra britânica Theresa May - Foto: HO / PRU / AFP

A primeira-ministra britânica, Theresa May, presidiu nesta terça-feira (10) uma reunião de um governo com cara nova, após as demissões da véspera pelas divergências em torno do Brexit, e demonstrou estar determinada a não dar o braço a torcer.

May enfrenta o mal-estar dos eurocéticos de seu Partido Conservador, que acreditam que ela esteja fazendo muitas concessões a Bruxelas nas negociações de saída da UE, mas tem o apoio dos moderados. Até o momento, não há qualquer movimentação para submetê-la a uma moção de confiança.

Boris Johnson, que era até a segunda-feira (9) o ministro das Relações Exteriores, escreveu em sua carta de renúncia que "o sonho do Brexit morre" e que, sob o comando de May, o Reino Unido se encaminha para o status de "colônia" da UE.

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A dramática demissão de Johnson, horas depois do ministro do Brexit, David Davis, fez a libra cair nos mercados de divisas. Havia rumores de novas demissões, mas elas não vieram, e May parece ter assumido o controle da situação. Dominic Raab, defensor do Brexit e ex-ministro da Habitação, foi nomeado em substituição a Davis a poucos dias da retomada das negociações com Bruxelas.

"Minha impressão é que tudo já foi o mais longe que poderia ir. Não vejo mais ministros se demitindo", disse à AFP Simon Usherwood, professor de Ciência Política da Universidade de Surrey.

O popular Johnson foi substituído pelo ministro da Saúde Jeremy Hunt, que, ao contrário de seu antecessor, fez campanha para continuar na UE no referendo de 2016. Hunt disse que é o momento de demonstrar que o Reino Unido tem "uma voz segura e forte no mundo".

Além disso, prometeu apoiar May "para que alcancemos um acordo com a União Europeia (UE) baseado no que o governo concluiu na semana passada na residência de Chequers".

Este plano decidido na residência de campo da primeira-ministra consiste em buscar "uma área de livre-comércio Reino Unido-UE" para bens, que exigirá imperativamente que os britânicos aceitem regulações europeias.

Brexit

Britânicos e europeus esperam chegar a um acordo sobre os termos de saída e sobre a futura relação comercial em uma cúpula que acontecerá em outubro. "Com somente algumas semanas para concluir as negociações de saída da UE, este é um momento crítico para o país", escreveu o jornal Financial Times em editorial.

"Esse confronto entre os partidários do Brexit e a realidade tinha que ter ocorrido há tempos", acrescentou, estimando que May tinha que tê-los enfrentado "antes que começassem formalmente as negociações".

Agora, May enfrenta "a sombra de um desafio à sua liderança", mas é possível que "após um período de demissões de sangria política, o Partido Conservador cerre fileiras em torno da primeira-ministra".

Os rivais conservadores de May podem iniciar uma moção de censura, se 48 deputados a solicitarem. Para isso, seriam necessários 159 votos, algo que é praticamente impossível.

A sobrevivência de May depende também da reação europeia a seus planos. Nesta terça-feira, ela se reunirá com a chanceler alemã, Angela Merkel, em Londres, em uma cúpula sobre os Bálcãs ocidentais.

O antigo líder conservador William Hague escreveu no Daily Telegraph que os críticos de May não apresentaram "qualquer alternativa concreta" para o Brexit e avisou que, se houver mais demissões, a própria saída da UE estaria "em perigo".

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