Melania Trump, uma imigrante na Casa Branca

Nascida na Eslovênia, ex-modelo pode tornar-se a queridinha do Tio Sam

Guilherme Boulos (PSOL) em entrevista à Rádio Folha.Guilherme Boulos (PSOL) em entrevista à Rádio Folha. - Foto: Zé Britto / Folha de Pernambuco

Um perfil da primeira-dama brasileira, Marcela Temer, publicado recentemente em uma revista de circulação nacional causou um curto-circuito nas redes sociais do País, com críticas ao artigo. Mais que um embate sobre feminismo, o caso revelou o pouco interesse que essa figura republicana tem no País, onde houve raros destaques (uma Thereza Goulart aqui, uma Sarah Kubitschek acolá). Nos Estados Unidos, entretanto, é caso de paixão. Há veículos de comunicação que deslocam jornalistas exclusivamente para acompanhar essas mulheres, que fazem parte do jogo político. E a partir da próxima sexta-feira, 20, o consumidor desse tipo de notícia estará em festa com a chegada à Casa Branca de Melania Trump, 46 anos, a primeira mulher de um presidente americano a ter posado nua e ter nascido no estrangeiro, dois tabus derrubados numa única (e belíssima) cajadada.

Quando nasceu, em 1970, na pequena Sevnica, a Eslovênia ainda fazia parte da grande Iugoslávia, unida à força pelo marechal Josip Tito. Mais liberal que seus vizinhos da Cortina de Ferro, a Iugoslávia, que só abandonaria o comunismo no início dos anos 1990 (caindo, em seguida, numa guerra separatista), permitiu a bela jovem, filha de mãe operária e pai vendedor de carros, estudar moda em Milão e se tornar modelo requisitada pelas passarelas  do mundo.É dessa época o ensaio nu que, claro, voltou a aparecer durante a campanha em que seu marido, Donald Trump, derrotou a democrata Hilary Clinton.  Trump, aliás, não gosta do assunto. Os dois se conheceram em 1998 e se casaram em 2005. Praticamente um conto de fadas anticomunista.

Desde que se tornou a senhora Trump, Melania se afastou de ensaios e passarela, mas manteve o glamour. Seu perfil na rede social Twitter (abandonado desde o ano passado) era um desfile de moda e de como vivem os muito ricos, com deslocamentos frequentes entre a Trump Tower, em Nova York, sede do império de Donald (onde, inclusive, pretende morar com o filho do casal, ainda em idade escolar, pelo menos nos primeiros seis meses deste ano) e a Flórida, onde participam de requintadas festas.

E, curiosamente, uma figura que remete tanto à moda teve problemas recentes com um grupo considerável de estilistas da alta cultura. Decidiram boicotar a nova primeira-dama, em represália às ideias anti-imigração do marido. Não faltará, porém, quem queira vesti-la. Discreta, Melania Trump só apareceu oficialmente uma única vez durante a campanha presidencial. Fez um discurso que, quase instantaneamente, foi considerado um plágio a uma antiga fala de Michele Obama, a primeira-dama que se despede do poder. Sob orientação do marido, não dá entrevistas. Aparece pouco, geralmente em eventos ou em passeio com a família.

Aliás, parte da imprensa, maldosamente, diz que, na verdade, a real primeira-dama americana na Era Trump será sua filha mais velha, Ivanka, 35 anos, presença constante em toda a campanha do pai à Presidência. Ivanka já foi vista, em mais de uma ocasião, em conversas com líderes mundiais como o presidente da Argentina, Mauricio Macri, e o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe. De fato, Ivanka Trump afastou-se, na semana passada, de seus negócios, incluindo uma famosa grife feminina. Seu marido, Jared Kushner, foi nomeado pelo novo presidente como alto conselheiro da Casa Branca, o que levantou debates sobre nepotismo.

Misterioso até o momento é o vestido que Melanie usará na posse de Donald Trump. Em seu casamento, usou um de US$ 100 milhões. Como se vê, a Era Trump será qualquer coisa, menos desanimada.

 

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