Mercosul pode suspender Venezuela

Decisão deve ser tomada durante reunião dos chanceleres marcada para amanhã, no Brasil

Presidente da Argentina, Maurício MacriPresidente da Argentina, Maurício Macri - Foto: Juan mabromata/afp

Às vésperas da reunião do Mercosul, que colocará novamente em pauta a saída da Venezuela do bloco, o presidente de Argentina, Mauricio Macri, considerou, na última quinta-feira (3), que a Venezuela tem que ser suspensa “definitivamente do bloco Mercosul pelas denúncias de violações de direitos humanos.

Os chanceleres do Mercosul se reunirão em São Paulo ou em Brasília amanhã para decidir sobre a suspensão política da Venezuela do bloco “pela ruptura da ordem democrática” no país, anunciou na última quarta-feira o chanceler paraguaio, Eladio Loizaga.

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Segundo o presidente argentino “é inaceitável o que está acontecendo neste país”. “Se está chegando a um consenso em toda América Latina e no mundo em geral para condenar o governo venezuelano”, apontou.

Macri disse que sob a presidência de Nicolás Maduro na Venezuela, “os direitos humanos são violados sistematicamente”. “Os venezuelanos estão muito mal. A vida dos cidadãos perdeu valor”, acrescentou o presidente argentino, referindo-se à onda de protestos contra o governo de Maduro desde abril passado e que deixou 125 mortos.

Constituinte
O governo da Venezuela se prepara para instalar hoe a Assembleia Constituinte impulsionada por Maduro, fortemente questionada pela comunidade internacional e cuja eleição é investigada por “fraude”.

A instalação acontecerá em meio a protestos convocados pela oposição e pelo escândalo após a denúncia da Smartmatic - empresa que deu suporte tecnológico às eleições para a Constituinte - de que houve “manipulação” dos dados de participação apresentados pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE).

Ao mesmo tempo, a Procuradoria da Venezuela pediu a um tribunal que anule a instalação - hoje- da Assembleia Constituinte do presidente Nicolás Maduro por suposta fraude em sua eleição.

Pelo Twitter, a instância informou que a solicitação feita por dois procuradores a um tribunal de controle “se baseia em supostos crimes cometidos durante o processo eleitoral” da Constituinte.

A procuradora-geral, Luisa Ortega, anunciou na noite da última quarta-feira ter aberto uma investigação contra os dirigentes do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) após a denúncia da Smartmatic, empresa que deu suporte tecnológico às eleições para a Constituinte, de que houve “manipulação” nos resultados.

“Estamos frente a um fato inédito, grave, que constitui delito”, disse a procuradora em uma entrevista com a rede CNN”. Segundo o poder eleitoral, oito milhões de pessoas votaram, mas o cálculo da Smartmatic é que foram às urnas pelo menos um milhão a menos, o que foi negado pela presidente do CNE, Tibisay Lucena, como uma afirmação “sem fundamento”.

A oposição, que classificou a denúncia da Smartmatic de “terremoto” e convocou um protesto em Caracas contra a instalação da Constituinte para hoje, garante que apenas três milhões de eleitores votaram. O dado de participação era determinante para a legitimidade da Constituinte, depois que a oposição disse ter reunido 7,6 milhões de votos contra a iniciativa em um plebiscito simbólico em 16 de julho.

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