Militares e manifestantes da oposição voltam a se enfrentar em Caracas

Confrontos começaram quando dezenas de opositores tentaram bloquear uma autoestrada e lançaram pedras e coquetéis molotov contra a base aérea

Confronto na VenezuelaConfronto na Venezuela - Foto: Cristian Hernandez/AFP

Militares e manifestantes opositores voltaram a enfrentar nesta quarta-feira (1º) no leste de Caracas, no âmbito das mobilizações convocadas pelo chefe do Parlamento Juan Guaidó. Os confrontos começaram quando dezenas de opositores tentaram bloquear uma autoestrada e lançaram pedras e coquetéis molotov contra a base aérea, onde um grupo de militares se rebelou nessa terça-feira (30) contra o presidente Nicolás Maduro.

Da base, soldados da Guarda Nacional lançaram gás lacrimogêneo contra os manifestantes, que estavam encapuzados e faziam parte de uma passeata de centenas de pessoas. Homens da Guarda Nacional também usaram gás lacrimogêneo para impedir o avanço de uma pequena mobilização no setor de El Paraíso, a uma distância de menos quatro quilômetros do Palácio presidencial de Miraflores, conforme imagens da imprensa local.

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Em outros setores da cidade, como La Florida, membros da oposição denunciaram "repressão" da Guarda Nacional e da Polícia. Na terça, durante o frustrado levante militar liderado por Guaidó, houve distúrbios em várias cidades. De acordo com o governo e com organizações dos direitos humanos, uma pessoa morreu, e dezenas ficaram feridas.

ONU condena uso excessivo da força
Nesta quarta, os Estados Unidos condenaram os ataques contra "manifestantes pacíficos", afirmou o representante de Washington em um conselho permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA), Alexis Ludwin. "Os Estados Unidos condenam, nos termos mais firmes, estes ataques contra manifestantes pacíficos", declarou Ludwin.

A sessão extraordinária dedicada à situação na Venezuela foi inaugurada pelo delegado do líder opositor venezuelano Juan Guaidó, o advogado Gustavo Tarre. Ele ocupa a cadeira de Caracas, depois que a OEA decidiu, em votação, não reconhecer os representantes de Maduro.

Tarre pediu que fossem exibidas imagens registradas pela imprensa na Venezuela, nessa terça. "Estes ataques não vão silenciar o povo venezuelano. O povo conhece a verdade", frisou o delegado dos Estados Unidos.

Também nesta quarta, a alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, advertiu as autoridades venezuelanas para que evitem um "uso excessivo da força" contra os manifestantes. Ela convocou todas as partes a "renunciarem à violência".

"O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos está extremamente preocupado com as informações sobre o uso excessivo da força por parte das forças de segurança contra manifestantes na Venezuela, o que aparentemente deixou dezenas de feridos", declarou a porta-voz de Bachelet, Marta Hurtado, em um comunicado. "Segundo informações recebidas, muitos outros foram detidos", completou.

"Diante dos protestos em massa programados para hoje, fazemos um apelo a todas as partes para que mostrem a máxima moderação e, às autoridades, para que respeitem o direito à reunião pacífica", afirmou Hurtado. "Também advertimos contra o uso de uma linguagem que incite à violência", acrescentou.

Na declaração, a porta-voz de Bachelet lembra o governo venezuelano de seu dever de garantir a proteção dos direitos humanos de todos e ressalta que esta agência da ONU "continuará monitorando a evolução da situação no país".

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