Militares se rebelam contra Maduro e Guaidó pede apoio das ruas e Forças Armadas

Maduro declarou que tem a "lealdade total" da liderança militar, após manifestações de apoio de vários membros do alto Comando militar

Guiadó Guiadó  - Foto: Federico Parra/AFP

Um grupo de soldados venezuelanos se rebelou nesta terça-feira (30) contra o presidente Nicolás Maduro e em apoio ao líder da oposição Juan Guaidó, que pediu a todas as Forças Armadas para se juntarem ao movimento, que o governo denunciou como uma tentativa de golpe. Maduro declarou que tem a "lealdade total" da liderança militar, após manifestações de apoio de vários membros do alto Comando militar.

"Nervos de Aço!" "Falei com os Comandantes de todos os REDI e ZODI do País, que manifestaram total lealdade ao Povo, à Constituição e à Pátria. Apelo à máxima mobilização popular para garantir a vitória da Paz. Nós vamos ganhar!", afirmou Maduro no Twitter em sua primeira reação à rebelião.

As Forças Armadas "permanecem firmes em defesa da Constituição Nacional e de suas autoridades legítimas", disse, por sua vez, o ministro da Defesa, general Vladimir Padrino, no Twitter.

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Durante a madrugada, Guaidó, reconhecido como presidente interino de meia centena de países, publicou um vídeo com um pequeno grupo de pessoas uniformizadas que, segundo ele, foi gravado em La Carlota, a principal base aérea da Venezuela no leste de Caracas.

"Somos também povo e já estamos cansados dessa ditadura", disse um dos insurgentes à AFP, anonimamente, nas proximidades da instalação. De dentro da base, militares leais a Maduro lançaram bombas de gás lacrimogêneo contra oponentes, que responderam ao chamado de Guaidó para tomar as ruas para apoiar o "cessar definitivo da usurpação do poder".

"Não vou ficar em casa com os braços cruzados, enquanto o regime de Maduro nos oprime", declarou Carlos, à AFP, pronto para jogar um coquetel Molotov no setor de Altamira.

"Hoje, bravos soldados, corajosos patriotas, bravos homens ligados à Constituição atenderam ao nosso chamado. Foram anos de medo, o medo que hoje é superado. Hoje como presidente encarregado da Venezuela, legítimo comandante-em-chefe das Forças Armadas, peço a todos os soldados (...) que nos acompanhem neste feito no marco da Constituição, dentro da estrutura da luta não violenta ", afirmou Guaidó anteriormente.

Tentativa de golpe
O governo venezuelano denunciou o incidente como uma "tentativa de golpe de Estado" e afirmou que a situação está sob controle. "No momento, estamos enfrentando e desativando um pequeno grupo de militares traidores que se posicionaram em Altamira para promover um golpe de Estado". Pedimos ao povo que permaneça em alerta máximo para, junto com as gloriosas Forças Armadas Nacionais Bolivarianas, derrotar a tentativa de golpe e preservar a paz", disse o ministro das Comunicações, Jorge Rodríguez.

O líder do chavismo, Diosdado Cabello, convocou uma manifestação no palácio presidencial de Miraflores, em Caracas, depois que o opositor Juan Guaidó afirmou ter o apoio de "bravos soldados" contra o líder socialista Nicolás Maduro. "Estamos agora mobilizados e convidamos todo o povo de Caracas: venha para Miraflores. Vamos ver o que eles podem fazer contra o nosso povo", disse Cabello, presidente da Assembleia Constituinte no poder, em nota na televisão estatal VTV, chamando a ação de Guaidó de "espetáculo grotesco".

Algumas dezenas de chavistas se reuniram nas proximidades do palácio. Os oponentes concentraram-se em Altamira, nas proximidades da base de La Carlota, com bandeiras venezuelanas e celebrando a revolta. "Leopoldo, Leopoldo!", gritavam muitos opositores. Os motoristas também tocavam as buzinas de seus veículos e há panelaços em várias zonas.

"O momento é agora! Os 24 estados do país tomaram o caminho: rua sem volta, o futuro é nosso: povo e forças armadas unidas pelo cessar da usurpação", afirmou Guaidó em nova mensagem no Twitter.

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