Ministro do Interior confirma três mortos e 12 feridos em ataque na França

Agressor foi ferido por uma patrulha de soldados da operação 'Sentinelle' antes de fugir da região do mercado, revelou um oficial da polícia, que não descartou uma ação terrorista

Ataque de um homem armado contra uma feira de Natal em Estrasburgo, no nordeste da França, deixou três mortos e doze feridosAtaque de um homem armado contra uma feira de Natal em Estrasburgo, no nordeste da França, deixou três mortos e doze feridos - Foto: Sébastien Bozon/AFP

O ataque de um homem armado contra uma feira de Natal em Estrasburgo, no nordeste da França, deixou três mortos e doze feridos, incluindo seis em estado grave, anunciou o ministro francês do Interior, Christophe Castaner.

Mais cedo, o prefeito da cidade, Roland Ries, havia informado "quatro mortos e doze feridos, incluindo três ou quatro em estado grave", como resultado do ataque. O agressor foi ferido por uma patrulha de soldados da operação 'Sentinelle' antes de fugir da região do mercado, revelou um oficial da polícia, que não descartou uma ação terrorista.

Segundo o Estado-Maior das Forças Armadas, um soldado ficou levemente ferido na troca de tiros. Após o ataque à feira, um segundo tiroteio foi registrado no bairro onde estaria o autor dos disparos.

Por volta das 22h30 GMT (20H30 Brasília), um helicóptero sobrevoava o bairro de Neudorf, na zona de fuga do atirador, enquanto a população permanecia em casa no centro da cidade. O presidente francês, Emmanuel Macron, manifestou a "solidariedade de toda a Nação com Estrasburgo, nossas vítimas e suas famílias".

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A seção antiterrorista da Promotoria de Paris anunciou que ficará a cargo da investigação, após a polícia informar que não descarta uma ação do terror. A Promotoria já abriu uma investigação por "assassinatos, tentativas de assassinatos relacionadas a grupo terrorista e associação criminosa para atos terroristas".

O autor dos disparos foi identificado e já estava fichado na categoria "S" ("Segurança do Estado), segundo a polícia. Natural de Estrasburgo, 29 anos, o agressor deveria ter sido detido na manhã desta terça-feira por uma tentativa de homicídio, revelou à AFP uma fonte ligada ao caso.

É um indivíduo conhecido por crimes comuns, informou o ministro do Interior, Christophe Castaner. A tradicional feira de Natal de Estrasburgo, alvo de ameaças de atentado no passado, está sempre sob fortes medidas de segurança.

Após o tiroteio, o vice-prefeito da cidade, Alain Fontanel, pediu à população que ficasse em casa "até que a situação se esclareça". A polícia também solicitou às "pessoas que moram nos bairros de Neudorf e Parque de l’Etoile que não saíssem de casa".

Castaner monitora a situação a partir da célula de crise montada no ministério do Interior. "Nossos serviços de segurança e de emergência estão mobilizados. Não espalhem boatos e sigam os conselhos das autoridades".

Macron foi por volta da meia-noite à célula de crise no ministério do Interior. O centro histórico de Estrasburgo foi totalmente cercado pelas forças de segurança, que pediram aos pedestres para evitar a região.

Militares armados, policiais e veículos de emergência ocuparam a região do mercado. Testemunhas disseram à AFP que ocorreram vários disparos por volta das 20H00 (17H00 Brasília), provocando pânico entre a multidão.

"Escutamos vários tiros, ao menos três, e várias pessoas correram. Uma delas caiu, mas não sei se tropeçou ou foi atingida (pelos disparos). O pessoal do bar gritou: 'fecha, fecha e o bar fechou", contou uma testemunha à AFP.

"Estávamos na Praça Kléber por volta das 20H00. Ouvi tiros e houve pânico, corremos em todas as direções", revelou Fatih, outra testemunha, que viu três feridos no chão em uma rua a poucos metros da árvore de Natal iluminada, em pleno centro da cidade. "Começamos a ver policiais com escudos que gritavam: saiam, saiam e buscavam o autor dos disparos", contou Faith.

"Ficamos refugiados em um restaurante. O proprietário recebeu algumas instruções e nos levou para o fundo do salão. Apagamos todas as luzes", contou Michèle, uma mulher que jantava em um local próximo ao incidente.

O Parlamento Europeu, instalado em Estrasburgo, que realizava uma sessão no momento do ataque, foi cercado pela polícia. Como mostra de solidariedade, o presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, manteve a sessão até o final, por volta da meia-noite.

"Este Parlamento não se deixa intimidar pelos ataques de criminosos e terroristas. Seguimos trabalhando e reagimos com a força da liberdade e da democracia contra o terror", declarou Tajani.

A primeira-ministra britânica, Theresa May, declarou no Twitter estar "consternada e triste pelo terrível ataque de Estrasburgo". "Meus pensamentos estão com todos os afetados e com o povo francês".

"Lamentamos as pessoas mortas e pensamos nos feridos", reagiu no Twitter o porta-voz do governo alemão, Steffen Seibert, também "chocado" com o ataque. A França se encontra em alto nível de alerta terrorista desde a série de atentados jihadistas que deixou 246 mortos a partir de 2015.

A última vítima de ataque terrorista no país foi esfaqueada por Khamzat Azimov - um jovem de 20 anos morto pela polícia - no bairro turístico da Ópera, em Paris, no dia 12 de maio de 2018.

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