Mortes de refugiados no Mediterrâneo em 2016 chegam a 4.600

Número de mortos cresce na medida em que traficantes de pessoas tentam realizar travessias

Waldir Pires (esq.) na saída do cargo de Ministro da DefesaWaldir Pires (esq.) na saída do cargo de Ministro da Defesa - Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

O número de imigrantes e refugiados que morreram afogados ou desapareceram ao tentar cruzar o Mediterrâneo em busca de asilo na Europa atingiu um novo recorde em 2016.

O naufrágio de quatro embarcações desde terça-feira (15) deixou 340 mortos, elevando o número de mortos desde janeiro para mais de 4.600, segundo números da Organização Internacional para Imigrações (OIM). Em 2015, foram registradas 3.771 mortes no Mediterrâneo, um recorde até então.

A OIM disse nesta quinta-feira (17) que o número de mortos cresce na medida em que traficantes de pessoas tentam realizar travessias apesar das más condições de viagem registradas durante o inverno.

"O que choca é a crueldade", disse Flavio Di Giacomo, porta-voz da OIM na Itália. "Os traficantes forçam as pessoas a partir apesar das condições impeditivas do mar. Quando chegam à praia, migrantes que não querem ir são forçados a embarcar, até com violência." Ele disse que os traficantes de pessoas não se importam se os migrantes sobreviverão à viagem. "Quando você paga, não pode desistir", afirmou.

Em vários naufrágios no Mediterrâneo, é impossível recuperar os corpos da maioria dos migrantes afogados, sendo necessário para contabilizar os mortos amparar-se em relatos de sobreviventes sobre a quantidade de ocupantes de cada embarcação.

Segundo a OIM, mais de 341 mil pessoas chegaram à Europa pelo Mediterrâneo em busca de asilo em 2016, até 13 de novembro. A maioria desembarca na Grécia e na Itália.

Em 2015, mais de 1 milhão de pessoas realizaram o mesmo trajeto. A grande queda no número de travessias se deve a uma fiscalização mais rigorosa no Mediterrâneo e a um acordo firmado em março entre a União Europeia e a Turquia para frear o fluxo migratório. A maioria das pessoas que buscam asilo na Europa foge de conflitos armados e crises humanitárias na África e no Oriente Médio.

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