Nicolás Maduro ameaça ocupar empresas

Governo e oposição se acusam mutuamente de “golpismo”, em meio a uma aguda crise econômica que se traduz em escassez de alimentos e remédios e uma inflação calculada pelo FMI em 475% para este ano.

Antes da filiação, senador Fernando Bezerra conversa com ministros e senador Armando MonteiroAntes da filiação, senador Fernando Bezerra conversa com ministros e senador Armando Monteiro - Foto: Divulgação

 

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, aumentou o salário mínimo em 40% e ameaçou ocupar as empresas que aderirem à greve geral convocada para esta sexta-feira (28), enquanto a oposição reforça sua ofensiva contra o governo.

“Decreto e vou firmar 40% de aumento integral sobre o salário mínimo”, anunciou Maduro em um ato público de entrega de residências, o que eleva o mínimo a 90.911 bolívares (140 dólares), incluindo o auxílio alimentação.

A greve de 12 horas faz parte da nova estratégia da opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) após a grande manifestação, na última quarta-feira, para exigir a saída de Maduro do poder. “A Venezuela ninguém pa­ra. A Venezuela quer trabalhar e prosperar”, disse Maduro em rede nacional, em sua primeira reação à convocação da greve.

Maduro ratificou a advertência de que as empresas que aderirem à greve serão ocupadas pelos militares: “Empresa parada será empresa recuperada para os trabalhadores e a revolução (...). Não vou aceitar qualquer tipo de conspiração”.

Tensão crescente
Maduro chamou ontem de “assassino” o líder opositor Henrique Capriles, ao culpá-lo pela morte de um policial nos protestos de quarta-feira, e o acusou de planejar uma “invasão” ao palácio presidencial.

“Assassino, assim te chamo em frente ao país”, exclamou Maduro referindo-se a Capriles. “Quem criou esta violência? O chamado do governador de Miranda, Capriles. Entraram em uma fase de desespero sem precedentes. Temos que defender o direito à paz”, acrescentou Maduro, ao reiterar que participará no domingo, na ilha de Margarita, de uma reunião apoiada pela Unasul e pelo Vaticano para explorar um diálogo com a oposição. A MUD descartou sua participação nesta cúpula, que pediu que fosse realizada em Caracas.

Governo e oposição se acusam mutuamente de “golpismo”, em meio a uma aguda crise econômica que se traduz em escassez de alimentos e remédios e uma inflação calculada pelo FMI em 475% para este ano.

O governo culpa pela crise econômica “empresários de direita” que buscam desestabilizá-lo. A oposição responsabiliza o modelo socialista e sustenta que o revogatório era a última “válvula de escape” de uma população cansada de fazer longas filas para conseguir os poucos produtos a preços subsidiados.

 

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