Nomeações de Trump são criticadas

Áreas como Segurança Nacional, Justiça e a Agência Central de Inteligência serão ocupadas por ultraconservadores

Plenário da AlepePlenário da Alepe - Foto: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco

 

O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, indicou nesta sexta-feira (18) três nomes para importantes pastas de seu futuro governo. As escolhas geraram críticas de ONGs e de especialistas em segurança internacional.

O nome mais polêmico é o do general aposentado Michael Flynn, indicado para ser assessor de Segurança Nacional. A ONG Human Rights Watch afirmou que Flynn possui um “atormentante desprezo” pelos direitos humanos e destacou que, durante a campanha, ele apoiou métodos de tortura contra suspeitos de terrorismo.
Especialistas norte-americanos ouvidos pela agência Associated Press apontam que Flynn tem uma “relação muito boa” com a Rússia, o que poderia por em risco a segurança dos estadounidenses. Essa postura não seria “vista com bons olhos” por veteranos especialistas em segurança nacional.
O congressista democrata Adam Schiff, membro da Comissão de Inteligência, disse estar “muito preocupado” com “o fraco” de Flynn pela Rússia e com suas “declarações incendiárias” sobre o Islã. O futuro presidente escolheu ainda o deputado republicano Mike Pompeo para assumir o comando da Agência Central de Inteligência, a CIA.

Membro do “Tea Party”, a ala ultraconservadora dos republicanos. Pompeo é um crítico ferrenho do acordo nuclear com o Irã e deve trazer um tom mais “pesado e rígido” para a agência, segundo a mídia norte-americana.
Cerca de 24 horas antes de ser nomeado - e aceitar o cargo - o novo diretor da CIA voltou a criticar o “desastroso acordo com o maior Estado financiador do terrorismo” e colocou um link de uma matéria em que diz que é “fácil” acabar com o pacto internacional.
Trump ainda indicou o senador de Alabama, Jeff Sessions, para posto de secretário da Justiça. Sessions é um dos maiores e mais fiéis aliados da campanha do republicano, tendo sido o primeiro parlamentar a declarar apoio ao magnata.
O senador é o “arquiteto” por trás dos planos do novo mandatário sobre questões polêmicas da campanha, como a imigração, a luta contra o terrorismo e a revogação de acordos comerciais internacionais. Sessions também já enfrentou processos, na década de 1980, por comentários racistas contra um advogado negro.
Na década de 1980, Sessions causou grande polêmica com suas declarações racistas, reclamando que um advogado branco “envergonhou sua raça” ao defender um cliente negro.
 
A influente organização de defesa das liberdades civis nos Estados Unidos ACLU lembrou ter sido chamada de “comunista” por Sessions, o qual criticou sua postura sobre os direitos dos homossexuais, a pena de morte e o aborto. Com os três nomes, Trump já tem cinco membros de seu futuro governo. Os três aceitaram suas nomeações. 

Para o cargo de Flynn não é necessária a aprovação do Senado, ao contrário das outras duas posições, sim. No dia 13 deste mês, ele anunciou que Reince Priebus, presidente do Partido Republicano e expoente do establishment que o magnata tanto criticou, será seu chefe de Gabinete. Já Stephen Bannon, acusado de ser membro de grupos de supremacia branca, foi escolhido como seu conselheiro sênior.

Neste fim de semana, o presidente se encontrará com o ex-presidenciável Mitt Romney. Um dos líderes do movimento "Trump Jamais", ele estaria sendo cotado como secretário de Estado, num aceno ao establishment. Sobre o empresário, Romney já declarou: "Suas palavras valem tanto quanto um diploma da Universidade Trump [acusada de fraude]".

 

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