O Dia D para os norte-americanos

Eleição geral nos EUA acontece na próxima terça-feira. Nas urnas, o eleitor escolhe o próximo presidente, além de renovar o Congresso

Marcos Loreto toma posse como presidente do TCE-PEMarcos Loreto toma posse como presidente do TCE-PE - Foto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco

 

A eleição presidencial americana acontece na próxima terça-feira, como determina uma lei de 1845, época em que os Estados Unidos eram uma sociedade majoritariamente agrária. Assim, os domingos eram reservados para ir à igreja e as quartas-feiras para o mercado. Considerando que a viagem a cavalo ao local de votação poderia levar um dia, a terça do início de novembro foi escolhida como o “Dia D” das eleições gerais numa das democracias mais antigas do mundo. Toda essa tradição estará em jogo nesta semana.

Os principais candidatos, a democrata Hillary Clinton e o republicano Donald Trump, estiveram nos últimos dias de olho nos eleitores de um pequeno número de estados, onde a disputa é particularmente apertada e os votos podem empurrar o processo para uma ou outra direção.

Complexa, a eleição norte-americana possui um sistema indireto em que cada estado designa um número de representantes para um colégio eleitoral, proporcional ao tamanho de cada população.

Mais que duas visões tradicionalmente opostas, a atual eleição é o embate de duas personalidades fortes, que chegam às urnas praticamente empatados, de acordo com as últimas pesquisas. Como se essa pequena “guerra civil” já não fosse suficiente, os americanos não irão apenas escolher o sucessor do democrata Barack Obama. A população renovará toda a Câmara de Representantes e um terço do Senado. Votará também pa­ra governador em 12 estados, fora propostas locais, os chamados referendos, que neste ano vão da legalização da maconha em mais estados à cobertura médica e controle de armas.

Jogo de forças
Esta corrida pela Casa Branca pode ser considerada uma das mais disputadas da democracia americana. A democrata Hillary Clinton conta com o apoio dos principais meios de comunicação, da maioria das mulheres, dos grupos minoritários, dos ecologistas e de boa parte de Hollywood. O republicano Donald Trump, por sua vez, tem como aliados personalidades como o presidente russo Vladimir Putin e até Julian Assange (o “senhor Wikileaks”).

“É uma eleição muitíssimo confusa”, observa Gary Nordlinger, da Universidade George Washington, que considera Trump e Hillary os dois candidatos presidenciais mais impopulares da história dos Estados Unidos. “E estão competindo um contra um o outro. Cada pessoa está competindo contra o único ser humano que pode derrotar”, assinala, apontando para o fato de que o lado pessoal veio à tona bem mais que as propostas, vide os acirrados debates, cheios de acusações.

Há outras questões em jogo, sobretudo o medo do fenômeno Trump, um antipolítico, algo pouco comum nos EUA. Derrotando experientes pré-candidatos republicanos, ele tem um perfil que responde do atual modelo conservador que parece se ampliar mundo afora. Há também o receio a Hillary, que se preparou para disputar o cargo, mas não contava com um debate tão pessoal.

 

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