Ofensiva contra Maduro reúne milhares em Caracas

Manifestação foi contra a suspensão do referendo revogatório do presidente da Venezuela

Fila por emprego no RecifeFila por emprego no Recife - Foto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco/arquivo

 

A oposição venezuelana intensificou a ofensiva contra o governo, ao convocar uma greve geral e uma marcha até o Palácio presidencial de Miraflores, após manifestações contra a suspensão do referendo revogatório do mandato de Nicolás Maduro, a quem os adversários vão declarar em “abandono de funções”.

Cerca de 1,2 milhão de manifestantes participaram, segundo contagem de ativistas. Intitulada “Tomada da Venezuela”, as centenas de milhares de pessoas exigiram a realização do referendo revogató¬rio sobre o mandato do presiden¬te, cujo processo de convocação foi suspenso pelo CNE (Conselho Nacional Eleitoral).
A Assembleia Nacional resolveu esta semana iniciar um procedimento para acusar Maduro de “abandono do cargo”, algo previsto na Constituição, quando o presidente deixa de exercer suas atribuições, e convocou o chefe de Estado a participar de uma sessão na próxima terça-feira.

A coalizão opositora MUD (Mesa da Unidade Democrática) convocou uma greve geral para esta quinta-feira (27), pedindo a todos os venezuelanos “que fiquem em casa”, e uma marcha na próxima quinta (3) até o Palácio de Miraflores, sede da Presidência.
“No dia 3 de novembro va¬mos notificar Nicolás Maduro que foi declarado pelo povo venezuelano em abandono do cargo. Vamos fazê-lo em manifestação pacífica que vai chegar ao Palácio de Miraflores”, afirmou o presidente da Assembleia Nacional, o opositor Henry Ramos Allup.

Motivações
A figura do “abandono de cargo”, quando o presidente deixa de exercer suas atribuições, existe na Constituição venezuelana. Este já seria um passo para caracterizar o crime de responsabilidade política no julgamento iniciado na última terça pelo Parlamento, de maioria opositora.

É improvável, porém, que o processo leve à deposição do líder chavista. Mesmo que tenha sequência, a acusação deve ser submetida ao Conselho Moral Republicano -formado pelo procurador-geral, o controlador-geral e o defensor do povo, todos cargos ligados ao chavismo- e depois ao TSJ (Tribunal Supremo de Justiça) -também controlado pelo governo.

Um dos líderes da oposição, Henrique Capriles disse durante a manifestação em Caracas que o governo deve “retornar à ordem constitucional” e revogar a suspensão do referendo. “Roubaram de nós o direito de votar e eu disse: se roubam nosso direito de votar, entramos em outra fase na Venezuela”.

Ao menos 39 pessoas foram presas e 20 ficaram feridas nos protestos no país, segundo a ONG Foro Penal. Os motivos das detenções não foram informados. Em Caracas, os atos seguiam pacíficos, ainda que a polícia tenha bloqueado uma avenida que os manifestantes pretendiam percorrer, mas foram registrados confrontos em cidades de alguns estados, como Táchira, Mérida e Sucre. Segundo a ONG de defesa dos direitos humanos Foro Penal, 80 pessoas foram detidas e 20 ficaram feridas durante as marchas desta quarta-feira (26).

Governo
O chavismo também convocou atos pelo país. Em Caracas, reuniram-se em frente ao Palácio de Miraflores. O presidente Nicolás Maduro participou nesta quarta (26) de uma reunião com representantes de outros poderes e altos funcionários do governo. O encontro instaurou um Conselho de Defesa da Nação para tentar resolver o impasse político.
O presidente reiterou seu chamado por um diálogo com a oposição. O Vaticano anunciou esta semana que mediará um encontro entre governo e oposição no próximo domingo na Isla Margarita, no Caribe venezuelano.


 

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