Ofensiva do governo sírio desloca mais de 270 mil pessoas

Em 19 de junho, as forças do governo lançaram uma ofensiva para recuperar os setores rebeldes do sul sírio, um setor sensível que faz fronteira com a Jordânia

Família síria utilizou um trator para carregar seus pertences e fugir dos conflitos no sul do paísFamília síria utilizou um trator para carregar seus pertences e fugir dos conflitos no sul do país - Foto: Mohamad Abazeed / AFP

Mais de 270 mil sírios fugiram da ofensiva do governo sírio de Bashar al-Assad em uma região estratégica do sul do país - informou a ONU, enquanto Damasco e seu aliado russo mantêm a pressão sobre os rebeldes.

Em 19 de junho, as forças do governo lançaram uma ofensiva para recuperar os setores rebeldes do sul sírio, um setor sensível que faz fronteira com a Jordânia e com as colinas de Golã, em parte ocupadas por Israel.

Apoiado por seu aliado russo, Assad recorreu mais uma vez à estratégia usada contra os rebeldes expulsos do subúrbio de Damasco: um bombardeio letal, seguido de negociações patrocinadas por Moscou.

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Na província de Deraa, as duas semanas de ataques aéreos e de combates no terreno obrigaram milhares de pessoas a fugir, o que levou o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) a soar o alerta nesta segunda-feira.

"Esperávamos que o número de deslocados ao sul da Síria chegasse a 200.000, mas superou os 270.000 em um tempo recorde", afirmou o porta-voz do Acnur, Mohammad Hawari, em Amã. "Nós nos confrontamos com uma verdadeira crise humanitária no sul da Síria", advertiu.

Quase 70.000 deslocados encontraram abrigo, sobretudo, perto do posto fronteiriço de Nassib, às portas da Jordânia, segundo a ONU. Diante desse fluxo, as autoridades de Amã repetiram que não abrirão a fronteira, fechada desde 2016, destacando que o país não poderia abrigar uma nova onda de refugiados. Milhares de outros deslocados também se dirigiram para a parte síria do Golã, não muito longe da fronteira com Israel.

Em paralelo aos bombardeios, o governo iniciou, com mediação de Moscou, discussões com representantes dos grupos rebeldes e de notáveis de Deraa, passando para seus controle várias localidades que aceitaram esses acordos "de reconciliação".

Com isso, o governo retoma o controle de 60% da província, contra 30% antes do início da ofensiva. Em um comunicado divulgado na segunda-feira, os representantes civis na delegação da oposição anunciaram, porém, que se retiraram das negociações.

"Não participamos das negociações hoje. Não fizemos parte de nenhum acordo e nunca faremos", afirma o comunicado assinado pelo negociador Adnane Moussalima.

Nesta segunda-feira, o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) confirmou "divisões entre os grupos rebeldes", em relação às condições oferecidas pela Rússia. Os acordos preveem, entre outros pontos, o abandono por parte dos rebeldes dos armamentos pesados e médios, o retorno das instituições públicas nas zonas insurgentes, em contrapartida do retorno das famílias deslocadas às suas cidades, sob a proteção da Polícia Militar russa.

As forças do regime também recuperaram o controle do posto fronteiriço de Nassib com a Jordânia e se deslocavam ao longo da fronteira com a Colina do Golã, indicou o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman.

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