Ofensiva em Mossul avança e coalizão examina próximos passos

Turquia advertiu que pode iniciar uma operação terrestre no norte do Iraque

Conflito segue no IraqueConflito segue no Iraque - Foto: Ahmad Al-Rubaye/AFP

As unidades de elite iraquianas se aproximavam nesta terça-feira (25) do leste de Mossul com o apoio da coalizão internacional, ao mesmo tempo que 13 ministros da Defesa se reúnem em Paris para examinar os próximos passos na luta contra o grupo Estado Islâmico (EI).

Cada vez mais envolvida no conflito no Iraque, a Turquia advertiu que pode iniciar uma operação terrestre no norte do Iraque para eliminar qualquer tipo de ameaça a seus interesses.

Oito dias depois do início da ofensiva em Mossul, as Unidades de Elite do Contraterrorismo (CTS) do país avançavam na zona leste do último reduto do EI no Iraque.

Nesta terça-feira, as forças iraquianas também retomaram o controle completo de Rutba, cidade da região oeste do Iraque que foi alvo de um ataque no domingo dos extremistas.

"Nossa frente está agora a cinco ou seis quilômetros de Mossul", afirmou à AFP o comandante da CTS, general Abdelghani al-Assadi.

"Devemos estabelecer uma coordenação com outras frentes para iniciar um ataque em Mossul", disse o militar, que está na cidade de Bartala.

Ao nordeste, os peshmergas curdos também estão próximos da cidade, mas na frente sul as forças federais ainda têm um longo caminho a percorrer antes de cercar Mossul.

Paralelamente, a situação deve evoluir ao leste de Mossul, uma frente considerada tranquila até agora. As unidades paramilitares xiitas Hashd al-Shaabi (UMP, unidades de mobilização popular) receberam a ordem de cortar a ligação entre Mossul e Síria.

"Nossa missão é impedir a fuga (do EI) para a Síria e de isolar totalmente Mossul deste país", explicou Jawad al-Tulaibawi, porta-voz da Asaib Ahl al-Haq, uma poderosa milícia xiita.

"Nos preparamos para uma batalha violenta e difícil", disse.

As milícias, que tiveram papel fundamental nas batalhas anteriores contra o EI, também desejam libertar a cidade de Tal Afar, ao oeste de Mossul, que tinha maioria xiita antes de ser dominada pelo grupo extremista sunita em 2014.

A participação da Hashd al-Shaabi na ofensiva de Mossul é fonte de tensões. As autoridades iraquianas e árabes sunitas são contrárias, assim como a Turquia, que enviou soldados ao leste de Mossul, apesar dos pedidos reiterados de Bagdá para a retirada das tropas turcas.

Fontes iraquianas e americanas afirmaram que os líderes do EI tentaram abandonar Mossul e seguir para a Síria, mas fontes francesas citam um movimento inverso com a chegada de "algumas centenas" de extremistas para reforçar a presença na cidade iraquiana.

Reunião em Paris

Reunidos em Paris para o quinto encontro desde o início da operação contra os extremistas, os ministros da Defesa de 13 países que integram a coalizão, incluindo Estados Unidos, Reino Unido, França, Canadá e Austrália, devem examinar os avanços da ofensiva em Mossul.

Os ministros devem concordar que a operação segue o calendário previsto, talvez até mesmo com alguma antecipação, disse uma fonte.

"Mas não sabemos como o Daesh (acrônimo em árabe de Estado Islâmico) vai reagir quando as forças iraquianas se aproximarem da cidade", afirmou uma fonte do ministério francês da Defesa.

"Há diferentes hipóteses. De uma tentativa de fuga generalizada para a dispersão a novos lugares até uma luta até a morte em Mossul para infligir grandes perdas a iraquianos e peshmergas curdos", completou.

De acordo com estimativas ocidentais, entre 5.000 e 6.000 combatentes do EI estão presentes em Mossul.

Os países da coalizão também desejam preparar as etapas posteriores da luta para eliminar definitivamente o EI, em particular na Síria, onde os extremistas ainda controlam a cidade de Raqa, nordeste do país.

"Temos que eliminar o risco de uma fuga em massa de Mossul para Raqa", insistiu o gabinete do ministro francês Jean-Yves Le Drian.

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Ashton Carter, pediu no domingo, paralelamente à ofensiva de Mossul, a organização de uma operação para isolar Raqa. O EI teria entre 3.000 e 4.000 combatentes na cidade síria.

A situação militar é mais complexa na Síria que no Iraque, com um território extremamente fragmentado e com vários atores envolvidos, como a Rússia e o Irã, aliados do regime de Damasco.

A Turquia afirma cada vez mais sua intenção de ter um papel importante na resolução da crise nos dois países. O chefe da diplomacia de Ancara, Mevlüt Cavusoglu, confirmou nesta terça-feira que poderia iniciar uma operação terrestre no Iraque para eliminar qualquer ameaça contra seus interesses.

O representante na França dos curdos da Síria, Khaled Issa, acusou o governo turco de atacar seus combatentes para impedir que retome Raqa. Ele acusou Ancara de "cumplicidade" com os extremistas.

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