ONU levanta sanções contra ex-chefe de guerra afegão

Hekmatyar, 67, assinou em 29 de setembro passado um acordo de paz com o presidente afegão, Ashraf Ghani

As Nações Unidas levantaram nesta sexta-feira as sanções impostas a Gulbuddin Hekmatyar, ex-chefe de guerra afegão acusado de atividades terroristas e vínculos com a Al-Qaeda, segundo um comunicado publicado no site da ONU.

Um representante de Hekmatyar em Cabul, Mohamad Karim Amin, classificou a decisão de "ponto importante" e "grande porta aberta para a paz no Afeganistão".

Hekmatyar, 67, assinou em 29 de setembro passado um acordo de paz com o presidente afegão, Ashraf Ghani, que garantia anistia e segurança tanto para ele quanto para seus seguidores, apesar dos protestos dos defensores dos direitos humanos, como a Human Rights Watch.

"As medidas de congelamento de bens, a proibição de viajar e o embargo às armas mencionados no parágrafo 2 da resolução 2253 (de 2015) do Conselho de Segurança e aprovados em virtude do capítulo VII da Carta das Nações Unidas não serão mais aplicados", assinala o comunicado do comitê de sanções da ONU, que cita Hekmatyar.

O chefe do Hezb-i-Islami estava submetido a sanções desde 2003.

O capítulo VII da Carta da ONU abrange as ameaças à paz.

Segundo fontes diplomáticas, a Rússia foi o único país contrário ao levantamento das sanções a Hekmatyar, exilado há décadas, primeiramente no Irã, e, depois, no Paquistão.

O ex-premier se encontra em um local secreto, e não viajou a Cabul para a assinatura do acordo com o governo em setembro, fazendo-o por videoconferência.

O representante de Hekmatyar afirma que o levantamento das sanções não implica, automaticamente, em seu retorno ao país, mas "facilita amplamente" isso: "É um ponto importante do acordo alcançado, que mostra o compromisso de Hezb e do governo em seguir por este caminho."

Também "agradeceu ao presidente (Ghani) por ter honrado sua palavra: não é algo comum neste país", disse o representante.

Hekmatyar é acusado de ter bombardeado Cabul durante a guerra civil com outros grupos de mujahedines no começo dos anos 1990 - o que deixou milhares de vítimas - , e de numerosos assassinatos seletivos, o que ele negou.

Os simpatizantes de Hekmatyar não representam atualmente uma ameaça importante no Afeganistão.

Associações de defesa dos direitos humanos condenam o retorno do ex-chefe de guerra ao cenário político. Mas para as autoridades, é essencial conseguir encerrar os combates que, apenas em 2016, deixaram pelos menos 10 mil vítimas civis, segundo a ONU.

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