Opaq se reúne pela primeira vez desde que teve seus poderes ampliados
A Organização para a Proibição de Armas Químicas afirma ter contribuído para a eliminação de 96% das reservas mundiais declaradas de armas químicas
As grandes potências mundiais se reúnem a partir desta segunda-feira em Haia na 23a. conferência da Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq). A Opaq enfrentará tensas discussões sobre uma nova equipe de investigação, encarregada de identificar os responsáveis pelos ataques na Síria e cujas atividades devem começar no início do próximo ano.
Em junho, a Rússia comparou a organização a um Titanic que estava "afundando", seguindo a decisão da maioria dos 193 estados membros de fortalecer os poderes da Opaq autorizando-a a identificar o autor de um ataque químico e não apenas documentar o uso da referida arma.
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Dois meses antes, as autoridades holandesas prenderam e expulsaram quatro agentes russos que preparavam um ataque cibernético contra a sede da organização, pouco depois da tentativa de envenenamento do ex-russo Sergey Skripal em Salisbury (sul da Inglaterra), do qual Londres acusa a Rússia. A poucos dias desta importante reunião, seu novo diretor-geral, Fernando Arias, reconheceu que a Opaq está passando por um "período difícil".
Arias, que assumiu o cargo no final de julho, fará o discurso de abertura da Conferência dos Estados Membros na segunda-feira, durante a qual integrantes como Rússia, Estados Unidos, Reino Unido e França terão a oportunidade de usar da palavra. A organização, laureada com o Prêmio Nobel da Paz em 2013, é responsável por supervisionar a implementação da Convenção sobre Armas Químicas (CWC), que proíbe a produção e o armazenamento de armas químicas. A OPAQ afirma ter contribuído para a eliminação de 96% das reservas mundiais declaradas de armas químicas desde a sua entrada em vigor em 1997.
Equipe forte
Ataques químicos repetidos na Síria desde 2013, um ex-agente russo envenenado com a substância neurotóxica Novichok em março na Inglaterra, o meio irmão do líder norte-coreano Kim Jong Un envenenando com VX na Malásia em 2017: a multiplicação do uso da arma química ampliou consideravelmente o papel de Opaq nos últimos anos. A reunião que começa nesta segunda-feira tem como objetivo ativar os novos poderes que foram acertados com a Opaq durante uma votação a portas fechadas em junho.
A organização agora pode atribuir responsabilidade de futuros ataques químicos em todo o mundo, desde que seja solicitada pelo país em que o incidente ocorrer. Rússia e Irã, aliados da Síria, opuseram-se ao reforço desses poderes, denunciando o risco de politizar a organização.
De acordo com Fernando Arias, a Opaq está implementando uma "missão de resposta rápida" a qualquer uso da arma química no mundo, bem como uma equipe "muito pequena, mas muito forte" para a Síria. Esta equipe, composta por uma dezena de membros, tem como objetivo identificar os responsáveis pelos ataques químicos realizados na Síria desde 2013.

