Ortega busca reeleição em votação polêmica na Nicarágua

"El Comandante", que completará 71 anos no dia 11 de novembro, tem uma ampla vantagem em busca do terceiro mandato consecutivo

As distribuidoras serão vendidas pelo valor simbólico de R$ 50 milAs distribuidoras serão vendidas pelo valor simbólico de R$ 50 mil - Foto: Divulgação

Os nicaraguenses elegem neste domingo (6) um novo presidente em meio à polêmica pela falta de observadores internacionais e de uma oposição real ao chefe de Estado atual, Daniel Ortega, que busca um terceiro mandato consecutivo junto a sua esposa.

"El Comandante", que completará 71 anos no dia 11 de novembro, tem uma ampla vantagem: segundo as últimas pesquisas, conta com 69,8% dos votos, sob a bandeira da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), muito acima dos cinco candidatos de pequenos partidos de direita.

Os centros eleitorais do país devem fechar às 18h00 (22h00 de Brasília), e acredita-se que os resultados sejam anunciados horas mais tarde.

O comparecimento de eleitores parecia escasso na maioria dos 4.308 centros de votação, onde estão instaladas 14.582 juntas receptoras de votos (JRV), nas quais espera-se que 3,8 milhões de pessoas votem.

O início da eleição estava um pouco lento pelo atraso na integração dos membros das JRV, segundo informações de distintos pontos do país.

As ruas da capital Manágua, a principal praça política, estavam vazias como em um dia de feriado com escasso trânsito nas primeiras horas da manhã.

Os nicaraguenses elegerão presidente e vice-presidente, 90 deputados da Assembleia Nacional e outros 20 do Parlamento Centro-Americano.

Com a atual primeira-dama na chapa presidencial, os principais partidos da oposição fora da disputa, deputados destituídos e os observadores internacionais rejeitados, estas controversas eleições parecem já estar decididas.

A oposição convocou os nicaraguenses a se abster de votar para impedir que Ortega, que controla todo o aparato estatal, instaure uma nova dinastia no país, depois de sofrer a dos Somoza, que liderou a Nicarágua entre 1934 e 1979.

Nos últimos 10 anos, Ortega acumulou um enorme poder político e econômico graças à condução de seu partido, uma aliança com o setor empresarial e o apoio da Venezuela.

Segundo dados oficiais, entre 2007 e o primeiro semestre de 2016 a Nicarágua recebeu quase 4,8 bilhões de dólares em empréstimos em condições favoráveis e investimentos da Venezuela, que foram administrados fora do orçamento e sem fiscalização.

A maior parte deles foi investida em projetos de energia, desenvolvimento de comércio, grupos empresariais, agricultura, construção de casas e programas sociais que permitiram reduzir a pobreza de 42,5% a 29,6% entre 2009 e 2014.

Mas a crise política e os baixos preços do petróleo afetaram os fluxos de cooperação e o comércio com a Venezuela, que até 2015 era o segundo sócio em importância da Nicarágua, depois dos Estados Unidos.

No entanto, de acordo com o analista Cirilo Otero, professor de sociologia da Universidade Centro-Americana, o governo se preparou para sobreviver sem a Venezuela, buscando petróleo em outros mercados, como Estados Unidos.

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