Oxfam alerta para risco de xenofobia por crise de refugiados venezuelanos

Os venezuelanos fogem de um país mergulhado em uma grave crise política, social e econômica

Instalados num apartamento no centro do Recife, refugiados contam com a solidariedade de vizinhos até para beber águaInstalados num apartamento no centro do Recife, refugiados contam com a solidariedade de vizinhos até para beber água - Foto: Arthur Mota

A ONG Oxfam alertou nesta segunda-feira para o surgimento de "narrativas anti-imigratórias" na Colômbia, Peru e Equador pela chegada de centenas de milhares de imigrantes e refugiados venezuelanos, horas antes de uma conferência internacional em Bruxelas sobre a crise.

"As narrativas anti-imigratórias estão começando a enquadrar seu discurso com base em medos já conhecidos, (...) acentuando sentimentos xenofóbicos e discriminatórios", escreveu a Oxfam em um relatório intitulado "Sim, mas não aqui" sobre as percepções das populações locais em relação aos migrantes da Venezuela.

Leia também:
De olho em copa, refugiados no Recife precisam de chuteiras
Senai vai oferecer curso de qualificação a refugiados venezuelanos
ONU elogia Brasil por reconhecer venezuelanos como refugiados


Para o estudo, a ONG entrevistou 1.200 pessoas na Colômbia, Peru e Equador, países que mais recebem venezuelanos que fogem de um país mergulhado em uma grave crise política, social e econômica. E suas respostas foram caracterizadas por "ambivalência".

Os entrevistados oscilam "entre compreensão, solidariedade e preocupação com o racismo e a xenofobia, e a associação dos imigrantes à insegurança, o colapso dos serviços sociais e o desejo de vê-los partir o mais rápido possível". Sete em cada dez pessoas no Peru, Equador e Colômbia acreditam que a imigração reduz os salários e piora as condições de trabalho, embora "não haja dados precisos" que comprovem essas ideias, segundo a Oxfam, uma visão semelhante sobre a "precariedade" dos serviços públicos.

Essas visões, que, de acordo com o relatório, não levam em conta a situação anterior do mercado de trabalho ou dos serviços públicos, somam-se a uma falta de percepção sobre a contribuição econômica da imigração para o país. O relatório concentra-se na situação das mulheres imigrantes, que, para metade dos entrevistados, podem acabar se prostituindo, vinculando gênero e precariedade. A Oxfam também alerta para o aumento do risco de exploração trabalhista e de violência sexista contra elas.

Sete em cada 10 pessoas também vinculam crime e insegurança à imigração e a maioria acredita que "as leis de entrada e permanência de imigrantes são muito permissivas", alerta a Oxfam, que pede aos Estados que "facilitem rotas seguras e legais". Dos quase 4,5 milhões de venezuelanos que fugiram de seu país, a Colômbia abriga 1,4 milhão, seguida pelo Peru (860.000), Chile (371.000), Equador (330.000) e Brasil (212.000).

A região estará no centro das discussões nesta segunda e terça-feira de uma conferência internacional em Bruxelas. O objetivo da conferência, patrocinada pelas Nações Unidas e União Europeia (UE) é debater como ajudar os governos latino-americanos a lidar com a crise, com apoio aos imigrantes e refugiados, mas também às populações locais.

Veja também

Autoridades dos EUA interceptam envelope evenenado endereçado à Casa Branca
Mundo

Autoridades dos EUA interceptam envelope evenenado endereçado à Casa Branca

Trump promete vacinas para todos os americanos em abril e Europa aumenta restrições
Coronavírus

Trump promete vacinas para todos os americanos em abril e Europa aumenta restrições