Papa fala a diplomatas sobre conflito EUA-Irã e crise na América Latina

Ele teme um conflito em maior escala entre o Irã e os Estados Unidos e pediu diálogo entre as duas partes

Papa FranciscoPapa Francisco - Foto: Remo Casilli/Pool/AFP

O Papa Francisco teme um conflito em maior escala entre o Irã e os Estados Unidos e pediu diálogo entre as duas partes, além de um compromisso maior da comunidade internacional com a paz no Oriente Médio nesta quinta-feira (9), em seu tradicional discurso de início de ano ante o corpo diplomático no Vaticano.

"Os sinais que chegam de toda a região são preocupantes, após o aumento da tensão entre o Irã e os Estados Unidos", disse o papa em uma longa análise sobre o que chamou de as "feridas do mundo".

"Renovo o meu apelo a todas as partes interessadas para evitar o aumento do confronto e manter 'a chama do diálogo e do autocontrole', em pleno respeito ao direito internacional", reiterou.

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Diante dos mais de cem embaixadores e representantes diplomáticos credenciados no Vaticano, o pontífice novamente pediu "um compromisso mais frequente e eficaz da comunidade internacional pela paz".

"Agora é mais urgente do que nunca também em outras partes da região do Mediterrâneo e do Oriente Médio", acrescentou. "Estou me referindo em primeiro lugar ao manto de silêncio que tenta cobrir a guerra que destruiu a Síria durante esta década", destacou.

"É particularmente urgente encontrar soluções adequadas e abrangentes que permitam ao amado povo sírio, exausto pela guerra, encontrar a paz novamente e iniciar a reconstrução do país", acrescentou.

O líder da Igreja Católica aproveitou a oportunidade para agradecer à Jordânia e ao Líbano "por terem recebido e assumido, com sacrifícios, milhares de refugiados sírios", disse ainda.

"Infelizmente, além do cansaço causado pela recepção, outros fatores de incerteza econômica e política, tanto no Líbano quanto em outros Estados, estão causando tensões entre a população, comprometendo ainda mais a frágil estabilidade do Oriente Médio", lamentou.

Referindo-se precisamente à situação de refugiados e emigrantes, particularmente os que fogem para a Europa, o papa incentivou às autoridades do antigo continente a "não perder o senso de solidariedade que os caracteriza há séculos, mesmo em momentos mais difícil da história ", enfatizou.

"O incêndio da catedral de Notre-Dame em Paris mostrou que é frágil e fácil destruir o que parece mais sólido", observou.

"Os danos sofridos por um edifício, não apenas procurado pelos católicos, mas significativo para toda a França e toda a humanidade, despertaram a questão dos valores históricos e culturais da Europa e as raízes sobre as quais se baseia", disse ainda.

- Multiplicação de crises -
Francisco também comentou sobre sua preocupação com multiplicação das crises políticas na América Latina e lamentou as desigualdades e a corrupção endêmica na região.

"Os conflitos da região americana, mesmo quando têm raízes diferentes, são acompanhados por profundas desigualdades, injustiças e corrupção endêmica, bem como pelas várias formas de pobreza que ofendem a dignidade das pessoas", disse ele aos embaixadores e representantes credenciados ante a Santa Sé.

Francisco lamentou as polarizações, "cada vez mais fortes, que não ajudam a resolver os problemas autênticos e urgentes dos cidadãos, principalmente os mais pobres e vulneráveis".

O líder da Igreja Católica aproveitou a oportunidade para condenar qualquer tipo de violência "que por nenhuma razão deve ser adotada como um instrumento para abordar questões políticas e sociais".

"É necessário que os líderes políticos se esforcem para restaurar urgentemente uma cultura de diálogo para o bem comum e para fortalecer as instituições democráticas e promover o respeito pelo Estado de direito, a fim de evitar desvios não democráticos, populacionais e extremistas", insistiu.

Francisco lembrou novamente a grave crise política e social pela qual a Venezuela está passando e mais uma vez pediu que o compromisso de encontrar soluções para esse país não seja interrompido.

O papa também se referiu ao Sínodo para a Amazônia, realizado em outubro passado no Vaticano, e à necessidade de proteger o que costuma ser chamado de "casa comum" e a busca por um desenvolvimento "sustentável e abrangente" que não devaste o planeta.

"Infelizmente, a urgência dessa conversão ecológica parece não ser aceita pela política internacional, cuja resposta aos problemas colocados por questões globais, como as mudanças climáticas, ainda é muito fraca e fonte de grande preocupação", lamentou.

O papa argentino, conhecido por suas posições ecológicas, lançou duras críticas aos líderes mundiais pela resposta fraca aos problemas decorrentes do aquecimento global.

"A proteção do lar que o Criador nos deu para viver não pode ser descuidada, nem reduzida a uma problemática elitista", enfatizou.

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