Papa Francisco viaja ao Cáucaso como peregrino da paz

Trata-se da segunda viagem de Francisco a Cáucaso, depois de uma visita à Armênia em junho

Paris Pode EsperarParis Pode Esperar - Foto: Divulgação

O papa Francisco fez nesta sexta-feira (30) um chamado à "coexistência" entre os povos de Cáucaso e rezou pelo Iraque e Síria em Tbilisi, capital da Geórgia, na primeira etapa de uma breve viagem à região, que prosseguirá no domingo até o Azerbaijão.

Trata-se da segunda viagem de Francisco a Cáucaso, depois de uma visita à Armênia em junho. Em sua chegada a Tblisi, à tarde, o presidente Guiorgui Margvelachvili recebeu o pontífice argentino recordando-o que chegava a um país "vítima de uma agressão militar por parte de outro Estado" e que "20% do território do país continua 'ocupado'", fazendo uma clara alusão à Rússia.

Em seu discurso, Jorge Bergoglio, não fez nenhuma referência direta à guerra que opôs Rússia e Geórgia em agosto de 2008, mas lembrou que a "coexistência entre todos os povos e os Estados da região" era a "condição primária indispensável" para conseguir a paz e a estabilidade.

A nova peregrinação do papa argentino para essa região entre a Europa e a Ásia "é claramente uma viagem de paz, para levar uma mensagem de reconciliação para toda a região", explicou o porta-voz do Vaticano, o jornalista americano Greg Burke, à imprensa. O papa escolheu como lema de sua viagem "Pax vobis" (A paz esteja com você), como um chamado à pacificação do mundo e em particular dessa região.

Nesses dois países há poucos católicos, mas enquanto na Geórgia a maioria da população é cristã, com 54% de ortodoxos, no Azerbaijão a maioria é muçulmana, com 63% xiitas e 33% sunitas, segundo números do Vaticano. Na Geórgia, um dos países cristãos mais antigos do mundo, o tema do ecumenismo, da união entre eles - e que é tão importante para Francisco - é o ponto-chave desta viagem.

Durante o encontro com o patriarca ortodoxo da Geórgia, Elias II, de 83 anos, este saudou a "visita histórica" do papa Francisco e considerou que "reforçaria as relações entre as duas igrejas". Sobre as tensões existentes entre a Igreja Católica e a Ortodoxa, o papa desejou que as "dificuldades não sejam obstáculos, mas estímulos para nos conhecermos melhor".

Oração pela Síria e Iraque


Outro momento importante da viagem foi o encontro nesta sexta-feira (30) à noite do papa com a comunidade assíria-caldéia, uma das três comunidades católicas presentes na Geórgia, junto com as comunidades latina e armênia. Esta igreja está implantada no Oriente Médio (Iraque, Síria, Líbano) e peregrinos sírios e iraquianos viajaram até Tbilisi para a ocasião.

Recebido com orações em aramaico, o pontífice rezou pela Síria e Iraque. "Senhor Jesus, faça com que os povos consumidos pelas bombas gozem de tua ressurreição: cesse a devastação no Iraque e na Síria", afirmou diante desta pequena comunidade.

No sábado, o papa celebrará uma missa antes de ir para a catedral ortodoxa da capital da Geórgia. No domingo, depois da cerimônia de despedida no aeroporto internacional de Tbilisi, o papa Francisco irá para Baku, capital do Azerbaijão.

Lá, almoçará com a comunidade salesiana e se reunirá no palácio presidencial com o mandatário Ilham Aliyev. O pontífice visitará a pequena comunidade católica do Azerbaijão, de 570 pessoas, com sete sacerdotes, em uma população de nove milhões.

Logo depois se reunirá em particular em uma mesquita com o líder dos muçulmanos de Cáucaso, o sheik Hadji Allahchukur Pachazadeh. Também encontrará o bispo ortodoxo de Baku e o presidente da comunidade judaica. A história de Cáucaso é marcada por divisões, reivindicações e confrontos entre potências.

O recente ressurgimento do conflito entre a Armênia - país que Francisco visitou há três meses - e Azerbaijão por Nagorno-Karabakh preocupa a comunidade internacional, apesar de em maio terem se comprometido a respeitar o cessar-fogo após os confrontos de abril.

Nagorno-Karabakh é povoado por uma maioria de armênios cristãos. Trata-se dos piores confrontos desde o primeiro cessar-fogo concluído em 1994, depois de uma guerra que deixou 30.000 mortos e milhares de refugiados, principalmente azeris.

O pontífice fará dez discursos e será acompanhado, entre outros, pelo secretário de Estado, o cardeal Pietro Parolin, e pelo cardeal argentino Leonardo Sandri, prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais.

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