Papa proclama primeiro santo argentino

‘Padre gaúcho’ , como era chamado, curava doentes em Córdoba. Outros seis religiosos foram canonizados

Adriana CalcanhotoAdriana Calcanhoto - Foto: Reprodução/Murilo Alvesso

 

O papa Francisco proclamou dois no­vos santos latino-americanos durante uma cerimônia solene que reuniu cerca de 80 mil fiéis no Vaticano neste domingo (16).

José Gabriel Brochero (1840-1914) foi canonizado na cerimônia e se tornou o primeiro santo nascido na Argentina, mesmo país do papa Francisco. Brochero foi padre e viveu na região de Córdoba. No lombo de sua montaria, viajava distribuindo bênçãos e pressionava governantes a construírem a infraestrutura para o desenvolvimento da região, como hospitais e telégrafos.

Nos intervalos, diz a tradição oral, curava doentes. Ajudou na epidemia do cólera na região no final do século 19. Ele morreu de lepra, que contraiu por tomar mate junto aos doentes isolados. Ao fim da vida, ficou cego e surdo. Ele ficou conhecido como “cura Brochero” ou “padre gaúcho”.

Além de Brochero, o mexicano José Sánchez del Río (1913-1928), os franceses Salomón Leclercq (1745-1792) e Isabel de la Santísima Trinidad Catez (1880-1906), o espanhol Manuel González García (1877-1940) e os italianos Ludovico Pavoni (1784-1849) e Alfonso María Fusco (1839-1910) foram alçados à glória dos altares por serem exemplo de dedicação aos pobres e aos doentes, e por sacrificar a própria vida por sua fé.

Milhares de pessoas, entre eles o presidente argentino Mauricio Macri e a ministra francesa da Ecologia, Ségolène Royal, assistiram à cerimônia.

Segundo as normas do Vaticano, é necessário demonstrar que o candidato intercedeu ao menos em dois milagres para que ele possa ser proclamado santo.

Com essas canonizações, Francisco se converte num dos pontífices que mais proclamou santos em três anos de pontificado, entre eles os papas João 23 e João Paulo 2º em 2014 e a madre Teresa de Calcutá este ano.

A chamada “fábrica dos santos” é uma máquina burocrática complexa que estuda vida e os milagres atribuídos aos candidatos à honraria.

Com essas canonizações, Francisco se converte num dos pontífices que mais proclamaram santos em três anos de pontificado, entre eles os papas João XXIII e João Paulo II em 2014 e a madre Teresa de Calcutá este ano.

Em 27 anos de pontificado, João Paulo II (1978-2005) proclamou 480 santos, um recorde na história da Igreja católica.

No início do ano, Francisco aprovou normas para o financiamento das causas de beatificação e canonização, uma maneira de garantir uma maior transparência depois do escândalo conhecido co­mo Vatileaks2, no qual foram denunciadas as somas elevadas que algumas congregações religiosas gastaram para alcançar a beatificação ou a canonização de seus protetores.

 

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