VENEZUELA

Parlamento da Venezuela proibido de julgar Maduro, diz TSJ

A MUD cancelou uma marcha até o Palácio presidencial de Miraflores, prevista para 3 de novembro.

O deputado federal Silvio Costa (PTdoB)O deputado federal Silvio Costa (PTdoB) - Foto: Maria Nilo/Folha de Pernambuco

 

A justiça venezuelana proibiu o Parlamento, de maioria opositora, de realizar um julgamento sobre a responsabilidade do presidente Nicolás Maduro na crise do país, por considerar o processo ilegal. A Sala Constitucional do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) "ordena às deputadas e aos deputados da Assembleia Nacional se absterem de continuar com o pretendido julgamento político", destacou o órgão estatal na sentença publicada ontem em sua página oficial.

A sentença foi difundida três dias depois de o governo e a oposição acordarem em uma mesa de diálogo, auspiciada pelo Vaticano, trabalhar pela independência dos poderes públicos e resolver a situação de desacato em que o Parlamento se encontra por decisão do TJS. A oposição acusa o poder eleitoral e o TSJ de estarem a serviço do chavismo.

Na última segunda-feira, a oposição deu por concluída uma trégua concedida a Maduro no âmbito do diálogo para resolver a crise, e disse que retomará, em paralelo às negociações, a estratégia de pressão lançada contra o governo após a suspensão, em 20 de outubro, de um processo de referendo revogatório, com o qual tentava tirar Maduro do poder.

A coalizão Mesa da Unidade Democrática (MUD) tomou esta decisão após uma chuva de críticas de seus integrantes por não conseguir um compromisso na mesa de negociações para reativar o referendo ou uma antecipação das eleições como saída para a crise. A MUD cancelou uma marcha até o Palácio presidencial de Miraflores, prevista para 3 de novembro. Além da mobilização, os opositores adiaram um julgamento parlamentar para estabelecer a responsabilidade de Maduro na crise política e econômica que o país atravessa e declará-lo em "abandono do cargo".

 

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