Pedro Sánchez supera críticas internas com manobra de risco na Espanha

Pedro Sánchez se elegeu deputado em 2009 e inesperadamente se tornou o líder socialista em 2014. Seus resultados na função, porém, não foram auspiciosos

O premiê espanhol Pedro SánchezO premiê espanhol Pedro Sánchez - Foto: Wikimedia Commons/Reprodução

Pedro Sánchez é um sobrevivente. Perdeu as eleições nas duas vezes em que concorreu, amargou resultados historicamente ruins, foi expulso da liderança do próprio partido -e conseguiu por fim assumir o cargo de premiê espanhol nesta sexta (1°). Nascido no subúrbio madrilenho de Tetuán, espichado em 1,90 metro de altura, Sánchez, 46, foi das quadras de basquete às classes de economia, disciplina que lecionou depois de ter estudado em Bruxelas. Ele se filiou ao Partido Socialista Operário Espanhol em 1993.

Foi uma veloz carreira política, com uma passagem como conselheiro na Prefeitura de Madri. Sánchez se elegeu deputado em 2009 e inesperadamente se tornou o líder socialista em 2014. Seus resultados na função, porém, não foram auspiciosos. Na eleição do ano seguinte, conseguiu apenas 90 cadeiras. Quando o país voltou às urnas em 2016, o número caiu para 85.

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As cifras historicamente ruins -os socialistas detinham 110 assentos antes de Sánchez assumir- fizeram com que sua liderança fosse contestada. Retirado da chefia, parecia liquidado. Sánchez manobrou a sigla, no entanto, e voltou ao poder nas primárias de 2017 com o apoio da base.

Quando viu a gestão Mariano Rajoy ruir sob um escândalo de corrupção na semana passada, identificou a deixa de que precisava: imediatamente apresentou uma moção de censura, recolheu votos a favor e derrubou seu rival. Seu governo carregará a suspeita de ter sido oportunista, algo verbalizado pelo próprio Rajoy na quinta-feira (31) –o conservador disse que Sánchez manobrou o Congresso por não ter chances nas urnas.

O socialista também terá o desafio de governar sem maioria parlamentar –controla 84 cadeiras de um total de 350, enquanto o PP de Rajoy, agora a principal oposição, tem 134. É bastante provável que a Espanha volte às urnas nos próximos meses, somando mais uma crise política a uma Europa já preocupada com o governo populista prestes a comandar a Itália.

Ao contrário de Roma, no entanto, a Espanha não enfrenta por ora movimentos populistas de direita ou contrários à União Europeia. Mas quando vierem as eleições, os tradicionais PP e PSOE devem ser punidos pelos eleitores, insatisfeitos com a velha política.

O presidente da Comissão Europeia (braço executivo da União Européia), Jean-Claude Juncker, afirmou ter "total confiança" na Espanha –entusiasmo que contrasta com a reserva com que o bloco recebeu a formação do governo populista e eurocético na Itália.

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