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Pernambucanos na Austrália comentam onda inédita de queimadas no país

Desta vez, os incêndios que acontecem todo ano no país atingiram proporções inéditas e dano para a população e a fauna local se tornam incalculáveis

Flávia Belfort e Jordanno RamosFlávia Belfort e Jordanno Ramos - Foto: Cortesia/Portal FolhaPe

A recente temporada de queimadas naturais atinge proporções inéditas e assustadoras na Austrália. Normalmente, o período dura aproximadamente um mês - entre novembro e dezembro -, mas desta vez começou meses antes, em setembro de 2019, e até o momento já se alastrou por cinco dos oito estados australianos, atingindo quase 60 mil km².

No início deste ano, a situação se agravou na Austrália, e o dano para a população e a fauna locais se tornam incalculáveis. Milhares de australianos estão sendo obrigados pelo governo australiano a abandonar suas residências para manter-se seguros e pelo menos 23 pessoas já foram mortas em decorrências dos incêndios. Quanto aos animais, mais de meio milhão já foram mortos, entre eles, mais de 8.000 coalas, espécie que agora corre risco de extinção. A fumaça chegou esta terça-feira ao Brasil.

Para entender melhor o impacto das queimadas para quem mora na Austrália, a Folha de Pernambuco entrou em contato com pernambucanos que moram no país. 

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Entre as áreas mais atingidas está Nova Gales do Sul, no Sudeste. O estado é o mais populoso da Austrália e reúne 70% dos focos de incêndio. Em cidades como Melbourne e Sydney, assim como em Gold Coast, é possível ver uma espessa de camada de fumaça tomar conta do céu, que adquiriu um tom avermelhado por causa do fogo.

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Para Flávia Belfort, pernambucana que mora em Melbourne, no estado de Victoria, a mudança para os moradores são claras. “Hoje eu consigo visualizar pessoas na rua com máscaras, todos os hospitais estão fazendo doações”, afirma. Ainda, ela relata que os cidadãos passaram por momento difíceis na noite de ano novo. “O ano novo aqui foi um pouco diferente, as pessoas foram convidadas a ir para uma praia específica, mas não para celebrar, e sim para fugir da fumaça e das queimadas”, contou.

Flávia Belfort, pernambucana que mora na cidade de Melbourne, no estado de Victoria.

Flávia Belfort, pernambucana que mora na cidade de Melbourne, no estado de Victoria. - Crédito: Reprodução/ Facebook.



O recifense Gustavo Benevides, 30, foi uma das pessoas que viveu dificuldades na noite de ano novo na Austrália. O engenheiro eletrônico mudou-se para Sydney à trabalho e decidiu passar a noite de ano novo com a família em Sussex Inlet, cidade localizada a 2 horas ao sul de Sydney. Porém, a viagem foi prejudicada quando um forte incêndio atingiu as proximidades da cidade turística.

“No dia 31 começou a ter um incêndio muito forte lá perto, tal ponto que a fumaça cobriu o sol e todo o céu, faltou energia na cidade e não dava para entrar e nem sair”, contou Gustavo. A família precisou adiar a volta para casa em 48h porque as estradas estavam incendiando e foram bloqueadas por autoridades. Para ele, a cena foi assustadora. “Era uma coisa que parecia de filme de apocalipse… Você via helicóptero pelas ruas, via bombeiros”, descreveu.

Também do Recife, o profissional de educação física e adestrador de cães Jordanno Ramos, 28, se mudou para a cidade de Gold Coast, na Costa Leste da Austrália, há quatro meses em busca de melhores oportunidades de trabalho.

Jordanno Ramos, 28, mora na cidade de Gold Coast há quatro meses.

Jordanno Ramos, 28, mora na cidade de Gold Coast há quatro meses. - Foto: Cortesia.

A cidade onde o recifense Jordanno mora ainda não foi atingida diretamente pelas queimadas, mas o fogo que ocorre no entorno da região deixa consequências graves para os moradores. “Onde eu moro não foi fatalmente atacado pelo fogo, mas a 14km daqui da costa teve um incêndio, então afetou a cor do céu e a condição do ar”, explicou.

Todos os anos, a Austrália passa por queimadas naturais provocadas pelas altas temperaturas combinadas ao baixo índice pluviométrico e os fortes ventos, que acabaram colaborando com a disseminação das chamas entre as vegetações ressecadas. Cientistas analisam que a agravação do fenômeno pode ser atribuída à crise do clima, que fez 2019 ser o ano mais quente já registrado no país desde o início do século 20.

 

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