Piñera visita Valparaíso e anuncia ajuda para afetados por incêndios

Piñera disse que as famílias atingidas receberão um bônus para a compra de bens domésticos

Presidente do Chile, Sebastián PiñeraPresidente do Chile, Sebastián Piñera - Foto: JAVIER TORRES / AFP

O presidente do Chile, Sebastián Piñera, viajou nesta quinta-feira (26) para o porto mais turístico do Chile, Valparaíso, onde as autoridades denunciam uma "intencionalidade" nos incêndios que afetaram 245 casas na Noite de Natal.

Em Valparaíso, Piñera anunciou uma série de medidas de ajuda para as cerca de 700 famílias afetadas pelo incêndio deflagrado na terça à tarde. As chamas consumiram rapidamente em torno de 150 hectares de mata na parte alta dos montes Rocuant e San Roque. Não há registro de feridos, nem de vítimas fatais.

"Não vamos deixar as famílias afetadas sozinhas", garantiu Piñera, que não avisou a imprensa, previamente, sobre sua viagem a Valparaíso, um dos lugares mais visitados do Chile.

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Piñera disse que as famílias atingidas receberão um bônus para a compra de bens domésticos, segundo a necessidade de seus lares, e outro para o aluguel de uma propriedade, ambos destinados a superar a emergência imediata.

Além disso, no marco de medidas mais definitivas, o presidente também divulgou um programa de subsídios para que os afetados possam comprar outro imóvel, novo ou usado, mas em outro lugar.

"Não podemos continuar construindo casas em zonas de alto risco", afirmou o presidente, referindo-se aos assentamentos, alguns deles ilegais, que se multiplicam nos morros de Valparaíso, onde o forte vento, a seca e uma precária urbanização conspiram para aumentar as chamas.

Alguns dos moradores afetados insistem em permanecer no local.

"Eu fico aqui. Estou há 30 anos aqui e vou ficar. Vamos voltar para nos reerguermos e voltar a construir" no mesmo lugar, disse à AFP Irma Victoriano, de 46 anos, em San Roque.

Incêndio criminoso
O incêndio atingiu os morros Rocuant e San Roque, na parte alta de Valparaíso (120 km ao oeste de Santiago), e afetou 245 residências, informou Jorge Martínez, governador da região.

Martínez indicou que, embora o incêndio "ainda não possa ser considerado controlado", "não gera um risco para a população. É um incêndio que está bastante confinado".

O ministro do Interior, Gonzalo Blumel, afirmou que o governo ainda não tem um balanço completo sobre os danos.

As causas estão sendo investigadas pelo Ministério Público, mas o governo disse que, por trás deste e de outros incêndios na mesma região nas últimas semanas, há uma "intencionalidade".

"Há indícios e algumas evidências de que foi um incêndio intencional e, se assim for, seria extraordinariamente grave", afirmou Piñera.

Responsáveis serão processados, completaram as autoridades.

Um vídeo que circula nas redes sociais mostra pessoas e um caminhonete branca perto de onde o fogo começou, momentos antes do início do incêndio.

O governo leva em consideração a seca aguda que afeta a área com altas temperaturas, mas "não contava" com a "alta intencionalidade dos incêndios que estão ocorrendo", disse o ministro da Agricultura, Antonio Walker.

Segundo o Serviço Nacional de Emergências (Onemi), 12 bombeiros ficaram feridos e 1,7 mil clientes permanecem sem energia elétrica. Outro incêndio florestal se mantém ativo e "consome uma superfície aproximada de 9 hectares de vegetação".

Trabalham nos dois incêndios 25 brigadas florestais civis e militares, 12 unidades dos bombeiros, sete aviões-tanque e de observação e 11 helicópteros, informou o Onemi.

O fogo avançou rapidamente na direção de casas de madeira, motivo pelo qual polícia, bombeiros e Exército evacuaram dezenas de famílias que aguardavam a ceia de Natal. Algumas passaram a noite em abrigos.

"Estávamos preparando tudo para passar as festas, quando começou o incêndio. Foi tudo tão rápido, não conseguimos retirar nada", contou à AFP Fabián Olguín, 28, que vivia no morro Rocuant.

As casas ficam nos bairros populosos da parte alta de Valparaíso, onde as construções são feitas principalmente de madeira e muitos de seus habitantes vivem em condições precárias.

Os donos das casas afetadas, que perderam todos os seus pertences, retornaram ao local hoje para resgatar o que sobrou em meio aos escombros.

"Horrível, terrível, ver as casas em chamas. Perder o sacrifício, o trabalho de 20 anos. Infelizmente, ficamos todos sem lar", lamentou, entre lágrimas, Silvia Puga, 49.

O governo chileno comprometeu 165 milhões de dólares para combater a difícil temporada de incêndios, frente à dura seca que atinge o centro do país há mais de uma década.

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