Polêmica colônia israelense põe Netanyahu no meio de tempestade política

Tribunal Supremo rejeitou uma solicitação do governo para adiar a demolição da colônia de Amora, na Cisjordânia ocupada

Jarbas Vasconcelos (MDB)Jarbas Vasconcelos (MDB) - Foto: Alan Marques

Uma polêmica colônia está se transformando em um quebra-cabeça difícil de resolver para o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, depois de a Justiça se recusar nesta segunda-feira (14) a adiar sua demolição, enquanto parte de seu governo se rebelou para salvá-la.

O Tribunal Supremo rejeitou, nesta segunda-feira, uma solicitação do governo para adiar por vários meses a demolição da colônia de Amora, na Cisjordânia ocupada, e manteve o dia 25 de dezembro como data-limite.

Amona terá de desaparecer antes de 25 de dezembro de 2016, acrescentou a Corte, como já havia decretado em dezembro de 2014. Depois de vários informes, o tribunal reiterou ao governo que não poderia agir e que as decisões da Corte não eram "uma recomendação, ou uma opção".

Com quase 300 habitantes, Amona se transformou no centro de uma feroz batalha política e está pondo a coesão do governo à prova. Parte decidiu se opor ao primeiro-ministro para manter a colônia ali onde foi radicada, nos anos 1990.

O destino desse assentamento, situado perto de Ramallah, é acompanhado de perto pela comunidade internacional.

A comunidade internacional considera todas as colônias - isto é, as implantações civis israelenses nos territórios ocupados - como ilegais. Israel rechaça esta posição para a maioria de suas colônias, onde vivem 400.000 israelenses.

Amona é um dos chamados "assentamentos selvagens", porém, considerado ilegal até mesmo por Israel, segundo as leis que as autoridades israelenses aplicam na Cisjordânia.

Há meses, o forte lobby da colonização luta para salvar a polêmica colônia. Dentro do governo, os ministros do partido nacionalista e religioso Lar Judaico são os que lideram o combate.

Polêmico projeto de lei

No domingo (13), conseguiram o apoio de vários ministros do Likud, o partido de Netanyahu. Em comissão ministerial e contrariando as objeções do premiê, eles aprovaram um texto que legalizaria retroativamente milhares de unidades de alojamentos israelenses construídos - ilegalmente, para a Justiça israelense -, transformando-os em propriedades privadas palestinas em troca do pagamento de indenizações.

Para entrar em vigor, o texto deverá ser aprovado três vezes no Parlamento e, provavelmente, também no Tribunal Supremo.

Para parte da comunidade internacional, essa lei representaria cruzar a linha vermelha. Fomentada tanto pelos governos de direita quanto pelos de esquerda, a colonização é um grave obstáculo para se alcançar um acordo de paz, segundo a comunidade internacional.

Grande aliado de Israel, os Estados Unidos criticaram duramente o projeto de lei. Autoridades israelenses pensam, inclusive, em que o presidente Barack Obama poderia, nas últimas semanas de seu mandato, tomar a iniciativa de não vetar uma resolução na ONU contra a colonização.

Hoje, os EUA condenaram a iniciativa "sem precedentes e preocupante" para a legalização de colônias não autorizadas.

A porta-voz do Departamento de Estado americano, Elizabeth Trudeau, disse que Washington está "profundamente preocupado" com a proposta.

"Esperamos que não vire lei", afirmou.

"Isso representaria um passo sem precedentes e preocupante, inconsistente com opiniões legais anteriores israelenses e também uma ruptura de uma política israelense de longa data de não construir em terras palestinas privadas", insistiu.

"Nossa política sobre assentamentos é clara. Acreditamos que são corrosivos para a causa da paz", acrescentou a porta-voz.

"Essa legislação pode ser um dramático avanço da empreitada de colonização, que já está prejudicando gravemente as perspectivas de uma solução de dois Estados", advertiu Trudeau.

Para os defensores da colonização, a eleição de Donald Trump é uma sorte para Israel, que poderia propor dar um fim à ideia de um Estado palestino independente.

Já os palestinos se opõem totalmente a esse projeto de lei e a outro que também foi adotado no domingo, o qual limitaria o volume dos chamados à oração muçulmana.

Essas medidas seriam uma "catástrofe" para a região, alertou o porta-voz da Presidência palestina, Nabil Abu Rudeina.

"A direção palestina vai se dirigir ao Conselho de Segurança da ONU e a todas as organizações internacionais para frear essas medidas israelenses", garantiu.

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